rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

França Aquecimento global Seca

Publicado em • Modificado em

França: seca provocada por aquecimento global causa rachaduras nas casas

media
Proprietários que já sofrem de restrições de água vêem grandes rachaduras se formando em suas casas. Captura de vídeo

O aumento das temperaturas nos últimos anos afetou milhares de casas construídas em solos argilosos, revela a rádio francesa France Info


As rachaduras provocadas pelo acúmulo de seca atingem moradias de cerca de 3.000 cidades francesas. Trata-se de uma consequência direta do aquecimento global, de acordo com uma reportagem publicada nesta segunda-feira (26) pela rádio France Info.

“Nós ouvimos o barulho à noite e de dia tem uma nova rachadura nas paredes da casa”, diz Evelyne, que mora na cidade de Crégy-lès-Meaux, na região parisiense. Para ela, as fissuras se tornaram uma “obsessão”. Sua casa foi particularmente atingida pelo fenômeno e possui dezenas de rachaduras, nas paredes internas e externas. “Tem uma rachadura que atravessa todo o teto. O solo desmoronou. A chaminé descolou da parede”, detalhou a francesa em entrevista à France Info.

Segundo ela, é impossível vender a casa. A única solução, diz, seria demolir e deixar para trás o que “demorou vinte anos para ser construído.” Jacky Rousse, outro morador da cidade, contou que, em sua garagem, uma rachadura de cerca de um centímetro e meio fez um buraco na parede. “Vai chegar uma hora em que ela vai cair”, declara. As rachaduras, diz, aumentaram nos últimos dois anos.

Em maio do ano passado, ele decidiu criar uma associação, “Rachaduras de Cregy”. “Em 2018, o reconhecimento do estado de catástrofe natural cobre o período de julho a dezembro, o que corresponde à época mais seca. Mas se a rachadura data de junho, não sabemos como isso será levado em conta pelas seguradoras”, diz Rousse. Jacky e Eveline não excluem a possibilidade de pedir uma indenização na justiça

Catástrofe

A cidade de Crégy-les-Meaux foi reconhecida em estado de catástrofe natural por conta da seca do ano passado. O fenômeno atinge cada vez mais cidades, segundo Sébastien Gourdier, técnico do instituto francês de pesquisas geológicas e de mineração (BRGM). “Até agora, isso acontecia com mais frequência no sul da França. Agora, o fenômeno atinge o norte”, diz.