rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Um pulo em Paris
rss itunes

Preocupação com ecologia marca volta às aulas na França

Por Adriana Moysés

Encerradas as férias de verão, os franceses estão de volta às aulas. As autoridades tomaram algumas medidas para colocar o meio ambiente no centro da vida escolar.

O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, decidiu ampliar uma experiência testada em algumas escolas da rede pública desde 2015. A partir deste ano letivo, todas as classes do ensino médio irão eleger um representante de turma para projetos sustentáveis, além do representante que já é eleito normalmente para o Conselho de Classe.

Em outubro, 250.000 "eco-representantes" serão escolhidos em todo o país. Eles vão discutir com colegas e professores a implementação de projetos de proteção da biodiversidade e de redução do impacto energético na vida escolar. A proposta do ministério é fazer dos 63.000 estabelecimentos de ensino médio da França espaços de ponta no desenvolvimento sustentável e despertar o interesse dos adolescentes por práticas ecorresponsáveis. Atualmente, apenas 4.500 escolas possuem um selo de qualidade nessa área, por aplicarem uma "abordagem global do desenvolvimento sustentável" (certificação E3D).

A ideia é desenvolver plantio de árvores, hortas, viveiros, triagem de resíduos, compostagem, reciclagem, fabricação de ninhos e comedouros para pássaros, projetos de redução de consumo de água e energia. Os alunos de uma escola de ensino profissionalizante ao norte de Paris desenvolveram, por exemplo, uma descarga de baixo consumo de água para os banheiros do estabelecimento. O que for recuperado nesse sistema cíclico será reaproveitado na própria escola ou por outros atores da comunidade.

O ministério estabeleceu como meta aumentar de 4.500 para 10.000 o número de escolas certificadas nos próximos dois anos.  

Mudança de mentalidade

Professores e alunos receberam o anúncio com algumas ressalvas. Alguns professores apontaram que os adolescentes não podem ser responsabilizados pelo estado atual do planeta. A sociedade de consumo foi criada pelas gerações anteriores e os dirigentes continuam a alimentá-la. Não é uma questão de dizer aos jovens que cabe a eles resolver o problema. Educar para um outro estilo de vida, sim, todos aprovam, mas isso requer uma mudança de modelo econômico que ultrapassa a responsabilidade individual de um adolescente em idade escolar.

Outros pediram mais recursos humanos e materiais para desenvolver os projetos. Estudantes relativizaram a capacidade de uma pequena horta, na escola, captar o gás carbônico da atmosfera e desempenhar um papel relevante na redução do aquecimento global. Mas pôr a mão na massa para produzir seus próprios legumes e frutas é uma boa lição para os jovens das grandes cidades.

Por outro lado, é consenso que a escola pode influenciar uma mudança nos hábitos de consumo, e as famílias francesas estão envolvidas nesse processo. Segundo pesquisas, 80% dos franceses dizem estar preocupados com a degradação do meio ambiente e as mudanças climáticas. É só entrar atualmente num supermercado na França para constatar a multiplicação dos espaços de produtos orgânicos, de venda a granel, que dispensa embalagem, a preocupação com os componentes dos produtos.

Os aplicativos de compra de roupas e acessórios de segunda mão fazem sucesso no país, inclusive para produtos de luxo. Os eletrodomésticos de segunda mão, que tinham desaparecido, conquistam novamente o público. Três quartos dos franceses consideram que consumir melhor é controlar o consumo.

De acordo com uma pesquisa recente do organismo de crédito Cetelem, 70% dos entrevistados afirmam resistir às compras por impulso – não para economizar, mas para consumir de maneira mais responsável.

Após semana de bloqueios do centro de Paris, Extinction Rebellion prepara novos protestos

Militantes são multadas por colarem cartazes contra feminicídio em Paris

Defesa do clima une ambientalistas, estudantes e coletes amarelos em manifestações em Paris

Uber, patinetes e bicicletas de aluguel saem ganhando com greve de transportes públicos em Paris

Campanha contra violência doméstica alcança forte impacto nas vítimas

Crédito imobiliário muito barato causa explosão no preço dos imóveis na França

Um ano após lei contra assédio de rua, França registra apenas 700 queixas

Amazon aumenta taxas de fornecedores para escapar de impostos na França

França ameaça tirar habilitação de motorista que dirigir falando no celular

Secador de cabelo de ouro e jantares de rei: ministro francês nega abusos e permanece no cargo

Hipódromo cria novas atrações e conquista público diversificado em Paris

Festa da Música mostra a grande diversidade de músicos profissionais e amadores franceses

Empresas francesas têm comprado silêncio de mulheres que denunciam casos de assédio