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Macron enfrenta primeira greve contra projeto de reforma da Previdência

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A expectativa é de que a greve de sexta-feira (13) no metrô parisiense terá a maior adesão em 12 anos. KENZO TRIBOUILLARD / AFP

A França entra em um novo período de turbulência social com o projeto de reforma da Previdência do presidente Emmanuel Macron. O calendário de tramitação da reforma, que pretende unificar os 42 regimes especiais de aposentadoria existentes num sistema universal por pontos, será apresentado nesta quinta-feira (12) pelo primeiro-ministro Édouard Philippe.


A queda de braço entre o governo e as categorias profissionais que se sentem prejudicadas pela proposta já começou, com uma grande greve programada para esta sexta-feira (13) no sistema de transporte público na região parisiense.

Dez linhas de metrô ficarão fechadas na capital. A linha de trem de subúrbio RER A, que transporta 1,2 milhão de passageiros por dia, e a maioria das linhas de ônibus só irão circular em regime de serviço mínimo, nos horários de maior movimento, de manhã e à noite. A paralisação começa às 18h desta quinta-feira.

"Paris vai parar por um dia", adverte o jornal Le Parisien. O motivo da greve é que os trabalhadores da empresa de transporte público metropolitano – RATP – temem perdas de até € 500 por mês em suas pensões, com a passagem para o sistema de pontos. Os sindicatos da companhia evocam uma redução potencial de 20% a 30% nas futuras pensões, caso o sistema de pontos venha a ser aplicado em substituição ao cálculo que levava em conta a média dos salários dos últimos cinco anos na ativa. Os metroviários consideram a proposta do governo inaceitável, apesar de trabalharem até 55 ou 57 anos de idade. No setor privado, a idade mínima de aposentadoria são 62 anos para homens e mulheres. A pensão é calculada pela média dos melhores salários em 25 anos de carreira.

Segundo Le Parisien, a paralisação terá forte adesão, mas ainda é cedo para ter uma ideia do que irá acontecer com a reforma. Durante a campanha, Macron prometeu acabar com os regimes especiais no setor público, que favorecem principalmente franceses com emprego estável. Porém, membros do governo já deram sinais que policiais e militares não serão afetados. O próprio presidente afirmou recentemente que regime "universal" não significa "único".

Crianças francesas têm medo do futuro

Antes de anunciar medidas de economia no caixa da Previdência, o primeiro-ministro decidiu refazer as contas para apresentar às centrais sindicais projeções precisas dos gastos com as aposentadorias até 2030. Os editorialistas acreditam que a reforma será adotada de forma progressiva.

Em meio ao debate, Le Parisien publica os resultados de uma pesquisa da ONG Secours Populaire sobre a maneira como as crianças e pré-adolescentes franceses encaram o futuro. De acordo com a sondagem, 62% dos menores de 8 a 14 anos dizem ter medo de se tornar adultos pobres, um porcentual em alta de 4% em relação à pesquisa anterior.

Curioso é que 66% das crianças ouvidas vivem em um ambiente familiar não necessariamente pobre. O sentimento de que o futuro será difícil para elas é a precariedade crescente que elas veem nas ruas e os testemunhos, nos meios de comunicação, de pessoas que trabalham e ganham salários insuficientes para pagar as contas do mês.