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Paris Marielle Franco Jardim

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"É um acalento": inauguração de jardim Marielle Franco emociona em Paris

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Marinete da Silva na inauguração do jardim Marielle Franco em Paris. RFI/Marcos Fernandes

A cidade de Paris inaugurou neste sábado (21) o Jardim Marielle Franco, em homenagem à vereadora do Rio de Janeiro assassinada em março de 2018. Participaram da cerimônia os pais de Marielle, Marinete da Silva e Antônio Fancisco da Silva Neto, e a filha da militante dos direitos humanos, Luyara Franco, além de vários políticos franceses.


Os dias frios que já haviam chegado à capital francesa no mês de setembro deram uma trégua e permitiram que o sol aquecesse a cerimônia de inauguração do espaço verde em homenagem a Marielle Franco. O jardim suspenso fica acima da estação de trem Gare de L'est e perto da Gare du Nord, no 10° distrito, uma região popular da capital francesa.

O bairro escolhido para o jardim é, portanto, uma área que tem forte ligação com a luta de Marielle, segundo Silvia Campanemo, presidente da Rede Europeia Pela Democracia no Brasil, a REd.Br. "No contexto atual, de gentrificação absoluta de Paris, é importante ter referências de uma mulher negra. É uma forma de resistir a uma gentrificação absurda de Paris e da região parisiense", afirma Silvia Capanema.

Luyara Franco, filha de Marielle, ao lado da foto da mãe em Paris. RFI/Marcos Fernandes

“Flores da resistência”

"É bem significativo ter um jardim principalmente porque minha mãe sempre falava que tínhamos que ser as flores da resistência", disse Luyara Franco, filha de Marielle, à RFI. "É minha primeira vez na Europa. Não é o motivo pelo qual queria estar aqui pela primeira vez, queria estar aqui com ela, conhecendo o mundo. Mas ver essas homenagens dá um acalento no coração, ver a imensidão que ela se tornou. Ela virou tipo um mártir. É muito gratificante para a família”, afirmou.

"[O jardim] representa todos os símbolos que a Marielle traz como resistência. Hoje, com todos os países solidários à causa, é cada vez mais importante, de maneira internacional, saber quem mandou matar Marielle. Estar aqui na França, com o significado que [o país] tem para a democracia, é muito significante, é um orgulho”, declarou a mãe da vereadora assassinada.

Jardim Marielle Franco em Paris. RFI/Marcos Fernandes

"Justiça para a Marielle é tudo o que nós queremos. Nós, como família, o povo brasileiro e a opinião pública mundial", disse Antônio Francisco da Silva Neto, pai da militante dos direitos humanos. "Essa é uma das maiores homenagens que nós recebemos em nome de Marielle. É mais uma prova do reconhecimento de todo o universo em relação ao nome de Marielle."

Da esquerda para a direita, Antônio Francisco da Silva, Marinete da Silva, Luyara Franco e Renata Souza. RFI/Marcos Fernandes

Memória de combate ao patriarcado e pela diversidade

Alexandra Cordebard, prefeita do 10° distrito, fez um discurso em homenagem à militante dos direitos humanos. “O nome de Marielle Franco reacendeu a esperança para todos no Rio de Janeiro: para as mulheres, para os negros, para as pessoas LGBT, para os seres humanos independentemente do sexo, do gênero, cor de pele, orientação sexual e meio de subsistência”, declarou Cordebard. “Seu nome transmitiu ao mundo uma oposição ao princípio de um patriarcado insensível ao gênero humano em sua diversidade.”

Placa do jardim Marielle Franco em Paris. RFI/Marcos Fernandes

Para Renata Souza, deputada estadual do PSOL no Rio de Janeiro, a abertura do jardim em homenagem a Marielle Franco representa a continuidade de seu “brilhantismo” no mundo. “Nada mais simbólico do que a cidade-luz homenageando Marielle por todo o trabalho feito contra as desigualdades sociais, principalmente de gênero, raça e classe. Marielle representava na sua luta política todos os ideais de igualdade, fraternidade e liberdade.”

O jardim Marielle Franco fica na rua d’Alsace, n° 40-48, no 10° distrito de Paris.