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Amazônia França ONU Impacto Ambiental

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“França também contribui com desmatamento, e isso tem que mudar”, admite Macron na ONU

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Emmanuel Macron durante discurso na Assembleia Geral da ONU REUTERS/Brendan Mcdermid

O presidente francês, Emmanuel Macron, abordou a situação da Amazônia durante seu discurso na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (24), em Nova York. O chefe de Estado reconheceu a parte de responsabilidade dos países desenvolvidos, entre eles a França, no desmatamento e disse que uma mobilização coletiva é indispensável.


Macron falou de vários assuntos de política internacional, como a crise com o Irãe o conflito na Síria, mas também da questão da desigualdade no mundo, principalmente entre homens e mulheres. No entanto, um dos momentos mais enfáticos do discurso de quase 40 minutos foi ao abordar as mudanças climáticas.

Um dia após o pronunciamento da ativista sueca Greta Thunberg, que criticou a falta de ação dos dirigentes do planeta sobre os temas ambientais, e logo após o presidente brasileiro ter dito, na mesma tribuna que "a Amazônia não é patrimônio da humanidade", Macron disse que o mundo enfrenta uma “retórica constante de denúncias” que “não é mais suficiente”. “Em termos de luta contra o aquecimento climático e pela biodiversidade, precisamos agir, concretamente, e mudar profundamente nossa organização coletiva”, pontuou o líder francês.

“Temos que alinhar nossas agendas com nossas ações”, disse Macron. “Não podemos mais ter estratégias comerciais de abertura de livre comércio que não integrem em sua agenda o objetivo climático. Não podemos levar alguns países a fazer esforços e continuar comercializando com os que não o fazem esses esforços”, ressaltou.

França importa produtos que levam ao desmatamento

Macron, que recentemente criticou a política ambiental do Brasil, principalmente após os incêndios na Amazônia, reconheceu a parte de responsabilidade francesa. “Não estou dizendo que está tudo bem na França e que fazemos tudo direito. Longe de mim. A própria França importa frequentemente produtos que levam ao desmatamento”, admitiu, em referência às acusações de que, ao comprar soja brasileira, Paris contribuiria com as queimadas no Brasil. “Isso supõe mudanças profundas, estratégias de parcerias com os países, com nossas empresas, com aqueles que financiam”, disse.

“Mas, se coletivamente não formos responsáveis e transparentes, e não aceitarmos a coerência entre nos atos e nossas palavras, entre nossas agendas comerciais e climáticas, nós não conseguiremos nunca. Isso levará alguns anos, mas temos que começar agora”, martelou o presidente francês.