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Franceses se despedem de Jacques Chirac, presidente mais amado desde De Gaulle

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Caixão de Chirac no Palácio dos Inválidos, instantes antes da entrada de centenas de pessoas que foram homenagear o ex-presidente francês (29/09/2019). REUTERS/Kamil Zihnioglu/Pool

Milhares de franceses dão adeus neste domingo (29) ao ex-presidente Jacques Chirac, figura política do país durante quatro décadas, que faleceu na quinta-feira (26). O tributo popular acontece no Palácio dos Inválidos, em Paris, na véspera de um dia de luto nacional e uma cerimônia oficial na presença de cerca de 30 personalidades estrangeiras.


As filas em frente ao palácio se formaram desde cedo nesta manhã, apesar da chuva e do vento. Cidadãos de todas as idades foram prestar uma última homenagem ao líder conservador, cujo caixão fechado, envolto da bandeira francesa, foi exposto ao público, na entrada da catedral Saint-Louis dos Inválidos.

Muitos choravam ao se aproximar do corpo, colocado à frente de um imenso retrato de Chirac. “É a primeira figura emblemática da França que pude conhecer”, disse Luca Gautier, 19 anos, um dos primeiros a ver o caixão e que descreve o líder como “um grande homem, carismático, popular, humano”.

Discursos famosos de Chirac ecoaram no palácio, onde se encontra o túmulo no imperador Napoleão Bonaparte e outros heróis de guerra franceses. Um livreto com as citações mais marcantes do ex-presidente foi distribuído aos presentes.

A morte de Chirac, "o humanista", comoveu o país que presidiu por 12 anos (1995-2007), depois de ter sido prefeito de Paris entre 1977 e 1995. Figura mítica da direita francesa, ele estava doente há anos e aparecia pouco em público

Medidas marcantes

Desde quinta-feira, cerca de 5 mil franceses, alguns deles muito jovens, assinaram os livros de condolências no Palácio do Eliseu, onde deixaram elogios fervorosos e expressaram ternura e admiração por Chirac. O ex-presidente será sempre lembrado por ter se oposto à guerra do Iraque em 2003, por ter reconhecido a responsabilidade da França na deportação judeus durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial e por sua frase "nossa casa está queimando", um alerta sobre a situação climática, lançado em 2002.

 

Segundo uma pesquisa publicada no Journal du Dimanche, Chirac, cuja popularidade não parou de crescer desde que deixou o Eliseu em 2007, tornou-se o presidente da 5ª República mais amado pelos franceses, empatado com Charles de Gaulle.  Muitos preferem não mencionar as questões judiciais do conservador que, em 2011, se tornou o primeiro ex-presidente francês a ser condenado (dois anos de prisão com suspensão da pena, por um caso de empregos fantasmas na prefeitura de Paris).

A afeição demonstrada por seus concidadãos se deve "mais" ao "que era" do que "ao que fez", considerou o jornal conservador Le Figaro. "Ele se ajustou às contradições de um país", acrescentou o jornal, para o qual o ex-chefe de Estado "era profundamente francês, com suas virtudes e fraquezas".

Cerimônia com líderes estrangeiros

Na segunda-feira (30), dia de luto nacional, uma cerimônia reservada à família será realizada pela manhã antes das honras militares, na presença do atual chefe de Estado francês, Emmanuel Macron. Ao meio-dia, um serviço solene presidido por Macron será realizado na igreja de São Sulpício, em Paris. Chirac será enterrado no cemitério Montparnasse, em Paris, e se tornará o primeiro ex-presidente francês a ser sepultado na capital.

A presença de dezenas de personalidades estrangeiras é esperada, com cerca de 30 chefes de Estado e de governo anunciados. Entre eles, o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier, o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o russo Vladimir Putin, o italiano Sergio Mattarella e os primeiros-ministros do Líbano, Saad Hariri, e da Hungria, Viktor Orban. Também estarão presentes líderes da época em que Chirac esteve no poder, como o ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder. Ás 15h, um minuto de silêncio será observado nas escolas e repartições públicas.

Ao longo de sua carreira, o falecido ex-presidente permaneceu fiel à sua rejeição à extrema direita, sua preocupação com a coesão nacional e sua visão gaullista da política internacional da França, considerada uma potência equilibrada que dialogava com todos os atores.

Com informações da AFP