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Pendrive com propaganda do EI confirma radicalização de autor de atentado contra policiais em Paris

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Cinco dias depois do ataque contra a sede da polícia em Paris, os jornais franceses desta terça-feira analisam a delicada questão da radicalização dos policiais no país. Fotomontagem RFI

Cinco dias depois do ataque contra a sede da polícia em Paris, os jornais franceses desta terça-feira (8) analisam a delicada questão da radicalização dos policiais no país. Um pendrive descoberto na casa do agressor, que teria degolado pelo menos uma de suas vítimas, contém propaganda do grupo Estado Islâmico, informa Le Parisien.


“Ataque de Paris: as perguntas que ainda estão sem respostas” destaca Le Figaro. O jornal informa que para tentar responder a essas questões o ministro do Interior francês, Christophe Castaner, foi ouvido esta manhã pelo grupo parlamentar de Inteligência da Assembleia Nacional. As falhas de segurança que possibilitaram o ataque de Mickaël Harpon são conhecidas. Na quinta-feira (3) da semana passada, o funcionário do serviço de informática da Direção de Inteligência entrou com uma faca no prédio superprotegido da polícia, no centro de Paris, e matou quatro pessoas, antes de ser abatido. Uma investigação por terrorismo foi aberta.

Ele era muçulmano, tinha ligação com o islamismo radical, e havia, logo após os atentados contra o jornal satírico Charlie Hebdo em 2015, mostrado sinais de radicalização, mas nunca foi alvo de uma investigação e não era monitorado. Como isso foi possível? O ministro do Interior tenta se explicar, mas por causa das falhas é duramente criticado pela oposição, que pede sua demissão.

Dados pessoais de dezenas de policiais

“A investigação sobre o caso está à altura da onda de choque provocada pelo atentado na polícia francesa”, escreve Le Parisien. Desde quinta-feira, a cada dia novas revelações confirmam a radicalização do agressor. A última descoberta, um pendrive encontrado na casa de Mickaël Harpon na periferia parisiense, preocupa. O dispositivo contém vídeos de propaganda do grupo Estado Islâmico, mas também dados pessoais de dezenas de colegas dele.

A polícia ainda não sabe se ele copiou ilegalmente os dados ou se os tinha por motivos profissionais. Os investigadores querem determinar se o agressor tinha a intenção de transmitir os contatos a outras pessoas. Mas por enquanto, tudo leva a crer que o agressor agiu sozinho.

Le Parisien revela ainda que 19 agentes ou policiais são monitorados atualmente no ministério do Interior por sua radicalização, um número insignificante comparado aos 149 mil funcionários do setor na França, salienta uma fonte citada pelo diário. Em 2015, após a onda de atentados que atingiu o pais, foi implantado um grupo especializado em acompanhar e monitorar a radicalização na Polícia Nacional. Desde então, seis policiais foram desligados do serviço.

Restabelecer a confiança

O presidente Emmanuel Macron participou na manhã desta terça-feira de uma homenagem aos policiais mortos por Mickaël Harpon. A cerimônia aconteceu no pátio da sede da polícia, local do atentado da semana passada. Le Figaro salienta que para recuperar a confiança da opinião pública nacional, ainda chocada com o atentado, o governo tem que ir além do reconforto à categoria.