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É possível fazer moda com responsabilidade ambiental ?

Por RFI

A revista Week-End do jornal econômico Les Echos dá destaque na capa de sua edição desta semana à forma como a setor da moda e do luxo têm começado a se preocupar com questões ambientais. A publicação traz sete páginas sobre o tema, nas quais tenta explicar o que significa esse engajamento dos grandes nomes dessa indústria.

Dividido em dois longos texto, a revista enumera as diferentes ações anunciadas recentemente, a começar pelo Fashion Pact. O documento, assinado por 147 marcas de moda e apresentado durante a reunião de cúpula do G7 em Biarritz em agosto, é apresentado como um compromisso de redução do impacto ecológico da indústria têxtil, principalmente com a ambição eliminar as emissões de carbono em seus processos de fornecimento até 2050. Nomes como Chanel, Gap, H&M, mas também Nike e Carrefour fazem parte da iniciativa.

A revista também lista as mudanças anunciadas pelas entidades que organizam as principais semanas de moda do planeta. Paris promete suprimir o uso de plásticos não recicláveis, enquanto Londres e Nova York criaram programas para sensibilizar os novos estilistas.

Pascal Morand, presidente da Federação francesa da Alta-Costura e da Moda, que assina um dos textos, conta que expressões como “meio ambiente” e “sustentabilidade” estavam entre os termos mais ouvidos durante a fashion week de setembro e outubro. “O mundo da moda foi sacudido pelo Conselho sueco que, no início de julho, anunciou que iria renunciar à sua fashion week em nome do desenvolvimento sustentável”, confessa. No entanto, ele alfineta os concorrentes escandinavos, ressaltando que o evento sueco já estava enfraquecido, e que o abandono dos organizadores foi uma maneira de colocar um ponto final, de cabeça erguida, em um projeto à beira da falência. “Mas isso não invalida as convicções e a vontade dos suecos de contribuir para uma moda mais responsável”, pondera.

2500 litros de água para fabricar uma camiseta

Porém, o mais interessante nos textos da revista é a lista de dados divulgados sobre o setor. “A cultura do algodão utiliza 3% das terras cultivadas do planeta, 16% dos inseticidas e 7% dos herbicidas”, aponta a reportagem. “Uma camiseta de algodão consome 2500 litros de água para ser fabricada”, calcula Pascal Morand. Um volume impressionante, quando se sabe que uma ducha representa, no máximo, 80 litros de água. Além disso, explica presidente da entidade francesa, menos de 1% dos tecidos que compõem as roupas que usamos são reciclados para fabricar novas peças.

Apesar das constatações, Pascal Morand defende a indústria que representa. Ele insiste que a moda não é o segundo setor mais poluente do mundo, apesar dessa afirmação ter entrado no discurso corriqueiro sem, segundo o executivo, nenhuma prova concreta. Além disso, Morand faz a diferença clara entre as marcas do fast fashion, que “fazem roupas para serem jogadas fora”, das grifes criativas e de luxo que, na sua opinião, duram mais tempo, podem ser consertadas e recicladas.

Apesar disso, o executivo admite que a renovação frequente e frenética das coleções coloca a indústria têxtil em uma posição delicada, que a obriga a assumir sua responsabilidade ambiental. Para ele, é preciso antes de mais nada medir exatamente o impacto da indústria e dos eventos da moda nas emissões de gases que provocam o efeito estufa, nas fontes de energia não renováveis, na biodiversidade e na poluição de todos os tipos. No entanto, martela, a solução não é acabar com o sistema das fashion week.

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