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Duo franco-brasileiro lança disco que mistura “Trem das Onze” e Erik Satie

Por Silvano Mendes

O amazonense Rosivaldo Cordeiro e o francês Philippe Lafon lançam em Paris o disco Amitié/Amizade. No álbum, os multi-instrumentistas misturam ritmos da França e do Brasil, com interpretações de sucessos dos dois lados do oceano, repaginados e com influências do choro e do jazz.

O lançamento oficial do disco é feito nesta quarta-feira (23) na casa de shows parisiense Sunset-Sunside. A escolha não é por acaso, já que o estabelecimento é conhecido por seus concertos de jazz desde a década de 1980 na rue des Lombards, reduto dos melhores clubes do gênero em Paris, mas também por receber artistas de world music, que misturam ritmos em seus palcos.  

O local resume um pouco o projeto Amitié/Amizade, no qual Rosivaldo Cordeiro e Philippe Lafon brincam com as relações entre França e Brasil, adaptando ritmos que embalaram os dois países, mas sempre acrescentando um toque pessoal. É o caso de “La Rua Madureira”, título gravado por Nino Ferrer em 1969, que ganha ares de samba-canção na voz do Lafon. Ou ainda o clássico brasileiro Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, que vira uma espécie de choro com sotaque francês.  

Os dois músicos se conheceram em 2017, durante a realização de um projeto em homenagem ao compositor e poeta francês Georges Brassens. “Puxamos os nossos violões, começamos a tocar juntos e ali percebemos que havia uma química”, relembra Cordeiro. Agora, em Amitié/Amizade, Brassens é homenageado novamente, com uma versão de “Si seulement elle était jolie”.

O amazonense Rosivaldo Cordeiro e o francês Philippe Lafon (d) nos estúdios da RFI em Paris. RFI

Um encontro das águas musical

“Foi um encontro das águas”, brinca Cordeiro, em referência ao fenômeno natural da sua Amazônia natal. O multi-instrumentista, que desde a época em que tocava para Banda Carrapicho, na década de 1990, divulga a cultura brasileira no exterior, trabalha há alguns anos na França. Mas confessa que descobriu alguns aspectos da música francesa durante a realização do disco com Lafon.

“Uma das coisas que mais gostei nesse projeto foi conhecer a obra de Erik Satie”. O resultado foi uma adaptação da Gnossienne n°1, um dos clássicos desse compositor francês do século 19, escrita entre 1890 e 1897, que ganha nova roupagem. “A gente trouxe para uma linguagem ‘guitarrística’ uma obra de piano, mas sem perder a mística da obra de Satie”, conta Cordeiro. Amitié/Amizade também traz composições inéditas, como “La Neige et la pluie”, assinada pelo brasileiro, ou “La Parade du Samedi Matin”, escrita por Lafon.

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