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Reforma da Previdência de Macron é destaque nos jornais franceses

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Emmanuel Macron participa de um debate sobre a reforma da previdência em Rodez, França, em 3 de outubro de 2019. Eric Cabanis/Pool via REUTERS

O jornal francês Le Figaro coloca a reforma da Previdência na sua manchete desta terça-feira (29). O tema também ocupa a capa do cotidiano econômico Les Echos, que diz que Macron tenta apaziguar as tensões na França.


O conservador Le Figaro lembra que um amplo movimento social está sendo preparado para começar no dia 5 de dezembro, com greves em vários setores, e que, para não perder terreno na execução da reforma, o governo de Emmanuel Macron adota uma estratégia “inflexível, mas não muito”. Outros qualificativos dados pelo jornal para a reforma são “intransigente sobre o princípio, mas benevolente na execução”.

No seu editorial, Le Figaro lembra que, 18 meses após o lançamento de uma “concertação inédita pela sua amplitude”, o governo ainda não tem “a menor ideia” sobre com que idade, em quais condições e segundo quais modalidades os franceses poderão se aposentar.

Ainda segundo o jornal, quanto mais o tempo passa e o governo se expressa sobre o assunto, mais o mistério aumenta. “Para um tema que, segundo o próprio Emmanuel Macron, angustia todo mundo, este método ‘tortura chinesa’ surpreende”, escreve o editorial.

Regimes especiais

O jornal diz que a procrastinação do chefe de Estado e seu governo tem uma única explicação: os regimes especiais de aposentadoria na França, que o Figaro classifica de “privilégios herdados do século passado que os cofres públicos não têm mais como financiar”.

A questão é que os beneficiários destes regimes são também os que mais podem causar transtornos caso paralisem as atividades, como já prometeram com a greve geral que deve começar no dia 5 de dezembro.

A ameaça de um conflito maior nos transportes começou a produzir seus efeitos, diz o jornal. O Executivo francês evoca agora um período de transição para a entrada em vigor da reforma e, mais ainda, uma aplicação reservada aos novos contratados.

Para Le Figaro, se isso acontecer, o sistema vai continuar complexo e injusto: “reservada às gerações futuras, a reforma só produzirá efeitos daqui a muitas décadas, fazendo coabitarem duas categorias de ativos, com tratamentos diferentes”. “Nada melhor para preparar uma nova crise para a Previdência”, finaliza o editorial.

O diário econômico Les Echos também destaca os regimes especiais, em especial dos setores de transportes e saúde. Segundo o jornal, Macron quer tranquilizar os trabalhadores, propondo não mexer nas aposentadorias de profissões que têm “um pacto com a nação”.

Hospitais

Um outro tema delicado que entra nos debates da reforma são as condições de trabalho nos hospitais públicos e a dívida de € 30 bilhões do setor. O presidente Macron diz que vai renegociar a dívida e que quer aumentar os recursos dos hospitais. Refinanciar a dívida pública lhe permitiria ter uma liquidez imediata, destaca Les Echos.

Hoje, cada estabelecimento gera a sua própria dívida, enquanto os profissionais de saúde que trabalham nas emergências não cansam de denunciar suas más condições de trabalho. Aliás, lembra Les Echos, uma greve da categoria está anunciada antes mesmo do dia da greve geral: eles ameaçam parar no dia 14 de novembro.

Macron tem um projeto que visa a reforçar o atendimento nas cidades e evitar assim a frequentação das emergências dos grandes hospitais. Mas isso só produzirá efeitos em cinco ou dez anos, diz Les Echos.