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Sob protestos, governo francês lança obras da Vila Olímpica em periferia pobre de Paris

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O primeiro-ministro francês Edouard Philippe, a prefeita de Paris Anne Hidalgo e Tony Estanguet, presidente do Comitê Organizador de Paris dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2024. REUTERS/Gonzalo Fuentes

O primeiro-ministro francês Edouard Philippe lançou, nesta segunda-feira (4), a pedra fundamental da Vila Olímpica dos Jogos de 2024, em Seine Saint-Denis, no subúrbio de Paris. O local vai receber as delegações de atletas de todo o mundo durante as competições.


O terreno de 51 hectares se transformará em alojamentos para cerca de 15.000 atletas e suas equipes. As obras devem durar três anos. Em seguida, o local será transformado em um novo bairro, com mais de 3.000 moradias, em 2025. O governo acredita que essa será uma oportunidade de movimentar a economia de um das regiões mais pobres de Paris. “Se queremos que os Jogos Olímpicos sejam um sucesso, é preciso que toda sua organização, seu financiamento e a mobilização em torno do evento não desapareçam a partir do momento em que tocha olímpica for apagada”, declarou.

O custo das Olimpíadas está orçado provisoriamente em € 6,8 bilhões, sendo que € 1,5 bilhão virá dos cofres públicos. Por isso os gastos devem reverter em serviços para o território e a população. O governo francês também anunciou hoje de manhã um pacote de 170 medidas relacionadas às Olimpíadas, como a criação de uma unidade dedicada ao preenchimento de vagas de emprego para os Jogos e um projeto para facilitar a atividade física nas empresas.

As propostas também incluem a criação de um selo de igualdade entre homens e mulheres na prática esportiva, além da formação de 3.000 deficientes físicos, que poderão trabalhar como voluntários no evento. Além disso, cerca de € 20 milhões serão alocados para pesquisas sobre desempenho esportivo, destinadas a aumentar as chances de medalhas da França em 2024.

Protestos

Apesar da aparente boa vontade do governo francês, o projeto da Vila Olímpica é alvo de protestos. Ela será construída em uma área onde existem vinte empresas, um alojamento estudantil, três escolas e um abrigo para trabalhadores estrangeiros, no município de Saint-Ouen. “Já estamos aqui há 40 anos e não há mais espaço para nós, é um insulto”, diz Boubacar Diallo, representante dos abrigos que recebem os estrangeiros.

O governo prometeu construir dois novos abrigos em 2022, mas os moradores se recusam a aceitar o alojamento provisório proposto pelo organismo público encarregado das obras dos Jogos Olímpicos. Na cidade de Seine Saint-Denis, alguns moradores temem o barulho e a movimentação que poderão ser causados pelas obras da futura piscina olímpica e outras de grande porte.

O Comitê Olímpico e Esportivo francês (CNOSF) aproveitou a ocasião para pedir ao Executivo francês e ao Parlamento que dotasse o organismo de recursos “à altura das ambições do país”, em um texto publicado no jornal esportivo L’Equipe. O CNOSF sofreu um corte de 20% nos últimos anos.