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"O que estamos vivendo atualmente é a morte cerebral da Otan", afirma Macron

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O presidente francês, Emmanuel Macron, durante coletiva de imprensa no segundo dia da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Bruxelas, Bélgica, em 12 de julho de 2018. Ludovic Marin/Pool via REUTERS

O presidente francês, Emmanuel Macron, considera que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está em estado de "morte cerebral". Em entrevista à revista britânica The Economist, o líder centrista alertou que se a União Europeia não assumir seu papel de potência militar, se dotando de mecanismos de defesa próprios, o bloco irá desaparecer.


Na entrevista publicada nesta quinta-feira (7), Macron diz que a quebra de compromisso do governo americano com os aliados europeus, além da ausência de coordenação estratégica dos Estados Unidos com os parceiros da Otan, produziu uma situação grave. Segundo ele, foi isso que levou que outro membro da organização, a Turquia, lançasse uma ofensiva militar na Síria, reportando-se apenas à Rússia, em uma zona em que interesses estratégicos europeus também estão em jogo. "O que estamos vivendo atualmente é a morte cerebral da Otan", enfatiza.

Por isso, o presidente francês afirma que na reunião de cúpula da Aliança Atlântica, prevista para ser realizada no início de dezembro, em Londres, será necessário esclarecer os objetivos estratégicos da organização. Ele acredita que é preciso debater principalmente o futuro artigo 5 da Otan, que propõe a ideia de defesa coletiva: o ataque contra um aliado constitui um ataque contra todos.

"O que significará o artigo 5 amanhã? Se o regime de Bashar al-Assad decidir adotar represálias contra a Turquia, vamos nos comprometer com eles? É uma pergunta crucial", afirma o presidente francês à revista The Economist.

Críticas a Donald Trump

O francês condenou o que muitos chamaram de "traição" de Donald Trump às forças árabes e curdas que combateram os extremistas do Grupo Estado Islâmico. Ele também critica a visão comercial de Trump sobre o papel da aliança ocidental, criada depois da Segunda Guerra Mundial para garantir a paz na Europa.

Para oferecer uma espécie de cobertura geopolítica, Trump exige em contrapartida exclusividade comercial na compra de armas americanas. Mas, Macron lembra que a França não assinou o tratado de criação da Aliança Atlântica com esse objetivo. Por isso, para o líder francês, é essencial para a Europa defender sua autonomia estratégica no plano militar e retomar o diálogo com a Rússia, "sem ingenuidade, dure o tempo que precisar".

A Aliança do Atlântico Norte foi fundada na sequência da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de assegurar a paz na Europa, promover a cooperação entre os países membros e defender a liberdade. Na época, os países da Europa Ocidental eram ameaçados pelo bloco comunista da antiga União Soviética. Fundada em 1949, em Washington, reunindo 12 países, a Otan conta atualmente com 29 membros, e assumiu novas parcerias com mais de 40 países, inclusive na luta contra o terrorismo.