rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Imigrantes França Pobreza

Publicado em • Modificado em

Relatório mostra a precariedade dos imigrantes na França: 70% vivem abaixo da linha da pobreza

media
Acampamento de migrantes em Na Porta de La Chapelle, em Paris. Christophe ARCHAMBAULT / AFP

A associação católica Caritas Fraça publicou nesta quinta-feira (7) seu relatório estatístico anual sobre pobreza na França, dedicado este ano à precariedade dos estrangeiros.


O relatório deste ano chama a atenção para a precariedade dos estrangeiros (de fora da União Europeia) que são acolhidos pelas 3.500 equipes da associação espalhadas pelo território.

Em 2018, a Cáritas recebeu quase 1,4 milhão de pessoas, sendo que 43% delas vieram de fora da União Europeia.

E essa proporção aumenta de ano para ano, efeito de um aperto na política de migração, segundo Laurent Giovannoni, um dos líderes da associação. "Essa é uma das principais razões pelas quais a proporção de estrangeiros acolhidos nas nossas sedes aumenta. Eles vêm até nós porque não conseguem encontrar portas abertas em outros lugares”, diz ele.

“A Cáritas continua sendo um dos últimos recursos para as pessoas mais pobres. E, de fato, o que estamos vendo é o aumento significativo da pobreza, porque 57% dos estrangeiros que recebemos não têm o direito de trabalhar. Isso cria situações de grande precariedade", completa

70% vivem abaixo da linha da pobreza

O processo de integração de imigrante também se tornou muito mais longo e difícil: "Esse endurecimento tem um efeito retardador", considera Giovannoni.

“O que, alguns anos atrás, poderia levar de cinco a dez anos, agora talvez leve dez ou quinze anos. A duração da pobreza é mais longa, e as pessoas estão achando cada vez mais difícil acessar certos direitos. Então, o que é chamado de integração em qualquer caso, que é a obtenção de condições de vida semelhantes às de todos, é adiado", conclui.

Segundo o relatório da Cáritas, 20% dos estrangeiros presentes na França há mais de dez anos não têm recursos e 70% vivem abaixo da linha da pobreza.