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Debate sobre legalização da eutanásia causa polêmica

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Capa do jornal francês Libération liberation.fr

Está de volta à França um debate antigo, longe de consenso: a legalização da eutanásia. Na sexta-feira, um médico foi preso em Bayonne, no sul do país, suspeito de ter posto um fim à vida de ao menos quatro pacientes terminais. A polícia o acusa de envenenamento, mas milhares de apoiadores da legalização do chamado "direito de morrer" já se mobilizaram para defender o profissional de saúde e reascender a polêmica.


O tema ocupa a manchete do jornal Libération desta segunda-feira e é a reportagem especial do jornal. O texto explica que, na França, uma lei de 2005 autoriza os médicos a "deixar um paciente morrer", ou seja, parar o tratamento médico e só administrar remédios contra a dor. Mas a indução à morte continua proibida, ao contrário da Bélgica e da Holanda, por exemplo, para onde todos os anos dezenas de famílias francesas levam seus pacientes terminais ou em sérias dificuldades para receberem doses de substâncias letais.

O médico francês foi denunciado pelos funcionários de enfermagem, embora nenhuma família tenha questionado as mortes. Seu advogado afirma que ele "assume seus gestos" e queria "abreviar o sofrimento de pessoas que iriam, de qualquer forma, morrer". Ao Libération, as associações de defesa da eutanásia disseram que a não legalização da prática é "uma hipocrisia".

O jornal lembra de casos que provocaram polêmica no passado, como o do jovem Vincent Hubert, em 2002. Após diversas tentativas judiciais para que a eutanásia fosse autorizada, sua mãe acabou assumindo a tarefa junto com o médico do rapaz, em um caso que comoveu a França e até hoje é referência no assunto.

No editorial, o Libération critica a imprensa francesa, que trata o médico como criminoso ao invés de dar espaço ao debate. "Nós deveríamos exigir que o Estado respeite o princípio de neutralidade moral, autorizando cada um a viver ou a morrer, de acordo com suas concepções", afirma o texto.