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Imprensa francesa rende homenagem a Sócrates, o "jogador rebelde"

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Le Monde rende homenagem a Sócrates, o "jogador rebelde".

O jornal Le Monde desta quinta-feira rende homenagem a Sócrates, com um adeus ao "jogador rebelde". O jornalista Nicolas Bourcier afirma que "o homem que levantava o punho morreu e a democracia brasileira chora", fazendo referência ao engajamento político do ex-atacante.


Bourcier diz que o jogador era dotado de uma consciência política rara e que ele deu notas de nobreza à seleção brasileira quando foi o capitão da equipe de sonho de 1982.

O colunista fala de seus gols loucos, de suas cabeçadas, de seus toques de calcanhar e também de suas derrotas, mas o jornalista prefere se referir ao jogador como "a imagem do idealista fora de sintonia com o mundo moderno" com uma filosofia de vida, na qual "justiça social rimava com virtude". Para o colunista, Sócrates foi e será sempre um crítico, cuja imagem está vinculada aos anos mais sombrios do Brasil, quando ele foi o primeiro jogador da América do Sul a se opor a uma ditadura.

Ele destaca momentos históricos da carreira de Sócrates como quando, apoiado por membros do Corinthians o "jogador-rebelde" comandou a Democracia corintiana, em 1981. Ou quando, na final do campeonato paulista, entrou em campo com uma bandeira onde estava escrito "Ganhar ou perder, mas sempre com democracia", que inspirou Gilberto Gil a compor uma canção sobre a Democracia corintiana.

Bourcier termina a coluna dizendo que, no domingo que Sócrates morreu, o Corintians ganhou o Campeonato brasileiro, um título que o jogador nunca alcançou. No mesmo dia, na Itália, um torcedor da Fiorentina, onde Sócrates jogou entre 1984 e 1985, escreveu em uma bandeira, "o doutor foi para o céu para dar um toque de calcanhar para Deus". Para o colunista esta foi uma bonita homenagem. Só faltou a referência ao punho erguido de Sócrates.