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Venezuela aconselha mulheres a retirarem implantes da marca PIP

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Mulheres argentinas que colocaram próteses mamárias da marca francesa PIP se organizam para obter mais informações, nesta quarta-feira. REUTERS/Enrique Marcarian

Depois que o governo francês recomendou a 30 mil mulheres retirar os implantes de silicone da marca PIP como medida preventiva, outros países também anunciam que irão tomar providências. Mas somente a Venezuela seguiu o exemplo francês e aconselhou as mulheres a retirarem as próteses mamárias suspeitas de causarem câncer.


O governo da Venezuela anunciou nesta terça-feira que um serviço gratuito de cirurgia plástica está à disposição das mulheres que possuem implantes mamários da marca PIP nos centros de saúde venezuelanos.

A ministra da saúde, Eugenia Sader, ressaltou que as próteses serão retiradas gratuitamente, mas não serão substituídas. Os implantes entraram "de forma ilegal" na Venezuela e "não houve nenhum registro sanitário", especificou a ministra.

Na semana passada, as autoridades médicas francesas aconselharam a retirada dos implantes de silicone da marca PIP, mesmo não havendo risco comprovado de desenvolvimento de tumor. O sistema público de saúde vai arcar com os custos da operação para retirar os implantes. Mas somente as mulheres que colocaram próteses após sofrerem de câncer de mama terão novos implantes pagos pelo governo.

Na Europa, enquanto a Bélgica e a Holanda encorajam as mulheres a retirá-los no caso de suspeita de ruptura, os governos da Finlândia e da Itália recomendaram somente o monitoramento médico dos implantes.

No Brasil, por enquanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda em seu site que as mulheres peçam a seus cirurgiões que verifiquem o estado dos implantes.

Na Argentina, apesar da recomendação do órgão análogo à Anvisa ser semelhante à brasileira, mais de 450 mulheres formaram uma associação de portadoras das próteses defeituosas para pedir a substituição de seus implantes.

Já a FDA (Food and Drug Administration), agência americana responsável pelo controle de medicamentos, revelou ontem à AFP ter advertido a França em 2000 sobre sérios problemas na qualidade dos produtos PIP.

A marca francesa Poly Implant Prothèse (PIP) produziu mais de 300 mil pares de próteses de silicone, sendo 84% das suas vendas destinadas à exportação. A América do Sul, a Espanha e a Grã-Bretanha estão entre os principais compradores das próteses defeituosas. Em março de 2010, a empresa faliu e seus implantes foram banidos devido ao uso de um gel impróprio que apresenta altas taxas de ruptura.

O fundador da empresa, Jean-Claude Mas, se explicou ontem por meio de seu advogado sobre esse escândalo de saúde pública que se espalhou pelo mundo. "Porque ele fez isso? Por que era mais barato. É talvez vergonhoso, mas é assim. Nós vivemos num mundo capitalista", explicou o advogado Yves Haddad.

Colaborou Carla Tomazini