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França devolve 20 cabeças maoris para a Nova Zelândia

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Cerimônia de devolução das cabeças mumificadas maoris aconteceu no museu do Quai Branly, em Paris. AFP/Mehdi Fedouach

A França devolveu hoje (23 de janeiro de 2012) à Nova Zelândia vinte cabeças maoris mumificadas, que haviam sido pegas por exploradores ocidentais no país, no século 19, e estavam sob a conservação de museus franceses. A entrega à comunidade maori foi feita em Paris, antes de os objetos serem levados à Nova Zelândia, na quinta-feira.


As cabeças maoris foram entregues a uma delegação neozelandesa durante uma cerimônia no museu Quai Branly, dedicado às artes africanas, asiáticas, americanas e da Oceania.

“Vocês, nossos ancestrais, são o sopro da vida. Vocês estão na França há tanto tempo e hoje nós vamos poder trazê-los de volta à sua terra, em Aotearoa [nome maori para Nova Zelândia]”, afirmou o representante maori Derek Lardelli, que dirigiu a cerimônia de entrega das “toi moko”. “Pouco importa como vocês chegaram aqui nesta terra estrangeira. Obrigado ao povo francês. Hoje, nossos ancestrais sorriem para vocês, por terem permitido de levá-los de volta.”

A devolução das cabeças mumificadas havia sido autorizada pelo Parlamento da França em maio de 2010. “As 20 cabeças serão entregues à Nova Zelândia, ao museu Te Papa. Elas não são mais objetos de coleção, porém ficarão guardadas em um lugar sagrado”, declarou o ministro francês da Cultura, Frédéric Mitterrand.

As peças chegarão ao Te Papa (“nosso lugar”, em maori), em Wellington, no próximo dia 26. Uma grande cerimônia será realizada no local para receber as cabeças mumificadas, com a presença do rei maori Tuheitia Paki.

Consideradas troféus ou objetos curiosos, essas cabeças foram alvo de tráfico desde o início da colonização da Oceania, no século 18. Proibido em 1831 pelo governo britânico, tanto na Nova Zelândia quanto na Austrália, este comércio continuou ilegalmente bem além desta data. Diversos países que abrigam restos maoris já concordaram em devolvê-los aos neozelandeses, como a Suíça, a Grã-Bretanha, a Dinamarca, a Holanda e a Alemanha.