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Twitter pode bloquear mensagens em países com censura

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O Twitter foi usado como instrumento em diversos protestos, como a Primavera Árabe. REUTERS/Steve Crisp

Para garantir sua expansão e ganhar novos mercados, o Twitter anunciou nesta quinta-feira que poderia bloquear as mensagens em alguns países para se adaptar à legislação local. Uma decisão que preocupa a organização Repórteres Sem Fronteiras e outras associações que acusam o site de colaborar com a censura em países como a China.


O site, que ajudou a derrubar regimes ditadoriais e virou uma arma nas mãos da oposição em países onde impera a censura, está prestes a capitular. No anúncio desta quinta-feira, o site especificou que poderia bloquear os tweets somente em alguns países, sem especificar quais recursos técnicos seriam utilizados para colocar em prática a decisão. Twitter alega diferenças culturais, citando o exemplo de conteúdos nazistas, restritos na França e na Alemanha. A lista dos conteúdos que serão apagados será publicada no site http://chillingeffects.org/twitter.

A diferença é que, até agora, quando o Twitter bloqueava o acesso a algum tipo de conteúdo, isso era feito em escala global. O diretor da Organização Repórteres Sem Fronteiras, Olivier Basille, escreveu uma carta para o presidente e um dos fundadores do Twitter, Jack Dorsey. No texto, ele pede mais transparência em relação à decisão, e não aceita o argumento de que existem “diferentes interpretações da liberdade de expressão”, que consta na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Trata-se de uma péssima notícia para a liberdade de expressão on line", declarou Lucie Morillon, representante da filial da organização francesa RSF (Repórteres Sem Fronteiras). "Esta decisão, que consiste à se adaptar às legislações locais, não é apenas uma adaptação cultural. Quer dizer que o Twitter vai colaborar com os censores para, no fim, impedir a divulgação de informações comprometedores sobre o governo, como denúncias de corrupção."

O site é utilizado pela oposição em diversos regimes repressivos e teve um papel fundamental em protestos ocorridos em diversos países, como no Irã, em 2009, e mais recentemente na Primavera Árabe. Mas segundo a organização, a China tem tentado há anos assinar um pacto de auto-censura com empresas estrangeiras que queiram se instalar no país, e esse posicionamento indica que Twitter cedeu à pressão das autoridades chinesas.

O desenvolvimento internacional do site levou a direção a considerar a questão, já que em alguns países, por exemplo, Twitter ainda é inacessível, e seu concorrente, Weibo, ainda é líder de mercado. Uma das hipóteses é a de que o site poderia proibir o uso de algumas palavras-chaves. Para Olivier Ertscheid, da Universidade de Nantes, outras empresas já se alinharam com as autoridades chinesas. Entre elas, Google, Yahoo e Microsoft, que possuem filtros em certos países.

De acordo com o especialista, "O Twitter apenas está fazendo o mesmo para poder entrar em outros mercados." Segundo ele, na China, o Google precisou aceitar certas condições, como ocultar alguns sites nos resultados das buscas com nomes de opositores. As fotos dos estudantes na frente dos tanques na praça Tian’anmen, por exemplo, também foram bloqueadas. Para Jérémie Zimmerman, responsável da associação Quadratura da Internet, a "decisão mostra que não podemos confiar em certas empresas, ainda mais situadas nos Estados Unidos, para proteger a liberdade."