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Brasil explora de forma insuficiente potencial comercial da Índia

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Dilma Rousseff com o indiano Manmohan Singh e o sul-africano Jacob Zuma. Reuters

De todos os países do BRICS, a Índia ainda é o mais distante dos esforços comerciais e da diplomacia brasileira, segundo analistas. O potencial desse gigante asiático, que cresce num ritmo sustentado há 25 anos e concentra a segunda maior população do planeta, com 1,2 bilhão de pessoas, só entrou no radar do Brasil há uma década. O governo de Dilma Rousseff tenta recuperar o atraso e estreitar os laços políticos e comerciais com a Índia.

 


Adriana Moysés, enviada da RFI a Nova Délhi

No ano passado, as trocas comerciais entre Brasil e Índia chegaram a quase US$ 9,3 bilhões, um volume bastante expressivo se comparado ao meio bilhão de dólares registrado no início da década. Esse desempenho continua pequeno perto dos US$ 50 bilhões de comércio do Brasil com a China, em 2011, mas sinaliza uma mudança de tendência. Fontes da embaixada brasileira em Nova Déli dizem que a China é um caso único e não deve ser tomada como parâmetro. O potencial indiano também é considerável. Assim, a meta do governo brasileiro é ampliar o comércio com a Índia para US$ 15 bilhões até 2015.

Dois produtos respondem pelo grosso das trocas comerciais bilaterais: petróleo e óleo diesel. Em 2011, 50% das exportações brasileiras para a Índia foram de petróleo, e a metade das importações indianas, de óleo diesel. Isso acontece porque a Índia tem boa capacidade de refinamento e enquanto os investimentos brasileiros nessa área não chegarem a termo, o petróleo continuará sendo o motor do comércio bilateral. O Brasil exporta óleo bruto, a Índia processa o derivado, em seguida o Brasil importa.

O Brasil também gostaria de aumentar suas exportações de óleo de soja para a Índia, um espaço hoje ocupado pela Argentina, e de açúcar, mas este já é um item mais delicado da pauta comercial. Maior consumidor global e segundo maior produtor de açúcar, atrás do Brasil, a Índia controla o acesso ao mercado interno e suas exportações do produto. No entanto, esta semana, os ministros indianos podem liberar 1 milhão de toneladas de açúcar para exportação para contrabalançar a queda prevista nos preços do produto com a chegada do açúcar brasileiro ao mercado internacional.

Diplomatas brasileiros dizem que no futuro a Índia terá de fazer uma escolha : como o cultivo da cana-de-açúcar absorve extensas áreas cultiváveis, para dar conta de alimentar sua população, o governo indiano terá de ceder parte do plantio de cana em benefício de outras culturas.

Junto com a África do Sul, o Brasil e a Índia formam o Ibas, uma iniciativa trilateral que promove a cooperação em diversas áreas. A relação comercial no interior do grupo quadruplicou desde a criação do Ibas, em 2003.

Em sua visita bilateral esta semana a Nova Délhi, a presidente Dilma Rousseff quer mostrar que o Brasil não é apenas um exportador agrícola. Dilma viaja acompanhada de uma delegação de mais de 60 empresários de diversos setores, inclusive de alta tecnologia, segmento em que a Índia se destaca, em busca de oportunidades para os produtos industrializados brasileiros com maior valor agregado.

Ainda se contam nos dedos das mãos as empresas brasileiras instaladas na Índia. As pioneiras no mercado indiano são Vale, Gerdau, Weg, Marcopolo, Stefanini, Vulcabras, Andrade Gutierrez, Perto, entre outras. Em compensação, pelo menos 30 grandes grupos indianos têm investimentos no Brasil.