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Golpe militar Islamismo Radical Mali Rebeldes Separatistas Tuaregue

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Rebeldes tuaregues dizem que estado independente no norte do Mali será menos radical

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Os islamitas do grupo Ancar Eddine atuam no norte do Mali com apoio da Al Qaeda, AFP PHOTO / ROMARIC OLLO HIEN

O Movimento Nacional para a Libertação de Azawad (MNLA) garantiu neste domingo que o novo Estado islâmico de Azawad, na região do norte do Mali sob controle dos rebeldes tuaregue, será "menos radical" na aplicação da shariá, a lei islâmica. O MNLA anunciou ontem a formação de uma aliança com a organização islamita Ancar Eddine (os guerrilheiros da religião) para governar o Estado independente.


O território do Azawad cobre uma extensa área de 850 mil quilômetros quadrados no norte de Mali. Embora os dois grupos defendam ideologias diferentes, eles anunciaram a aliança em torno de objetivos comuns: a independência do Azawed, o Islamismo como religião oficial e uma justiça inspirada no Alcorão e na Suna (feitos, dizeres e aprovações do Profeta transmitidos pela tradição popular).

O governo do Mali rejeitou categoricamente hoje, por meio de seu porta-voz Hamadoun Touré, a criação do Estado independente. Mas na cidade de Gao, onde o MNLA e os islamitas do Ancar Eddine passaram as últimas duas semanas em intensas negociações, a conclusão do acordo foi festejada com rajadas de metralhadoras pela população, segundo relataram testemunhas à agência de notícias AFP. 

Os tuaregues do MNLA, atuantes desde os anos 90 como um movimento laico, lançou em janeiro uma ofensiva para expulsar tropas do Exército da região. O conflito armado se intensificou com o envolvimento do grupo islamita Ancar Eddine, que tenta impor a lei islâmica a todo o país com o apoio de combatentes da Al Qaeda do Magreb islâmico (Aqmi). Os islamitas se tornaram a força dominante.

Sob o pretexto de lutar pela integridade territorial do Mali, uma junta militar deu um golpe no dia 22 de março, afastando do poder o então presidente Amadou Toumani Touré. Após intervenção diplomática da Cedeao (Comunidade Econômica dos Estados do Oeste da África), Dioncounda Traoré foi nomeado chefe de um governo de transição no Mali. Ele deveria ficar um ano no poder. No entanto, Traoré foi ferido no dia 21 de maio por manifestantes e agora se encontra em Paris para tratamento médico.