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Oposição critica medidas de flexibilização da nacionalidade francesa

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O ministro do Interio da França, Manuel Valls. REUTERS/Charles Platiau

O ministro francês do Interior, Manuel Valls, está decidido a flexibilizar as condições de obtenção da nacionalidade francesa, apesar dos ataques e críticas que recebeu da oposição de direita e extrema-direita.  Ele anunciou as medidas ontem durante uma cerimônia para atribuição da nacionalidade francesa a estrangeiros em Toulouse, no sul da França.


Em janeiro de 2013, um texto detalhando mais mudanças sobre os critérios de naturalização será anunciado. Ontem, o ministro do Interior, Manuel Valls, enviou uma circular para os serviços responsáveis pela imigração com as diretrizes para flexibilizar a obtenção da nacionalidade francesa.

Uma das principais medidas é a eliminação da necessidade de contrato de trabalho permanente. Nos últimos anos, 40% dos pedidos de naturalização foram recusados justamente porque os estrangeiros não tinham esse tipo de vínculo profissional.  Com a nova circular, mesmo quem tiver apenas um contrato de trabalho temporário poderá dar entrada no processo de naturalização. Os jovens estudantes com bom desempenho acadêmico e aqueles com menos de 25 anos, mas com mais de 10 anos no território francês também serão beneficiados.

O ministro francês determinou ainda o fim das questões de múltipla escolha sobre a história e a cultura francesa que eram obrigatórias. "Não é possível se tornar francês por meio de um questionário", disse o ministro criticando a medida que havia sido implementada durante o mandato do ex-presidente Nicolas Sarkozy.  Mas para os novos candidatos à cidadania francesa permanece a nececissade de fluência em francês. O governo exige um nível equivalente ao da conclusão do ensino fundamental no sistema escolar francês.

Valls, ele mesmo naturalizado francês aos 20 anos durante o governo do socialista François Mitterand, afirma que a França deve permanecer um país acolhedor aos estrangeiros que adotem os valores essenciais de liberdade, igualdade, fraternidade e o espírito laico. A oposição, porém, critica duramente as mudanças. Para Jean-François Coppé, líder do principal partido da oposição, facilitar a naturalização é perigoso, sobretudo neste momento de crise. Marine Le Pen, da extrema-direita, é inda mais dura e afirma que a nacionalidade francesa não deve ser distribuída como se fosse um "bilhete de metrô".