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5ª Cúpula do Brics Acordo África do Sul Banco central Brasil Câmbio China Guido Mantega

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Banco do Brics não deve entrar em funcionamento até 2016

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O banco do Brics teria como missão financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. Flickr/brics

Na véspera da abertura da 5ª Cúpula de Líderes do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), que começa nesta terça-feira, as negociações em torno do lançamento do banco de desenvolvimento do Brics enfrentavam resistência da Rússia. Durante a reunião de ministros de Finanças, nesta terça, os emergentes farão um esforço para superar o impasse russo, mas previsões apontam que a instituição não deve começar a funcionar até 2016.


Adriana Moysés, em Durban

De fontes próximas do dossiê, a Rússia não quer definir nesta cúpula o montante que cada emergente vai dar para a capitalização do banco. Moscou não vê que vantagens teria com a nova instituição, já que o país possui infraestrutura bem desenvolvida.

Nas últimas semanas, as negociações se basearam num aporte inicial de US$ 50 bilhões, dividido equitativamente entre os cinco países. O banco do Brics vem sendo concebido como uma estrutura complementar aos bancos de fomento nacionais, e teria como missão financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Vários detalhes seguem em aberto: qual país vai sediar o banco, sua forma de governança e a data de entrada em funcionamento. Segundo os mais otimistas, não seria antes de 2016.

Mantega chega e Durban

O ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, chegou em Durban na noite desta segunda-feira para a cúpula. Mantega falou rapidamente sobre as expectativas do encontro com a imprensa brasileira no lobby do hotel Hilton, onde o alto escalão do governo está hospedado.

De acordo com Mantega, o encontro dos emergentes tem uma agenda econômica importante, com avanços esperados em relação ao banco de desenvolvimento do Brics e no acordo de reservas entre os países Brics (Arranjo Contingente de Reservas ou Contingent Reserve Arrangement, da sigla em inglês CRA), que vai dar sustentabilidade e cobertura em caso de falta de recursos de algum país do grupo. O fundo pode ser criado com um capital de US$ 100 bilhões.

Mantega afirmou que num contexto em que os países avançados estão crescendo pouco, “os Brics dependem mais de si mesmos”. O dinamismo econômico dos emergentes precisa ser melhor aproveitado, na opinião do ministro. “Nós devemos crescer juntos enquanto os países avançados resolvem seus problemas”, acrescentou.

Na manhã desta terça-feira, os ministros de Finanças do Brics e presidentes dos bancos centrais vão se reunir para costurar os pontos da declaração final da cúpula que ainda causam divergências. Pelo menos dois pontos da agenda já estão definidos: os bancos nacionais de desenvolvimento e instituições similares do Brics vão assinar dois acordos, respectivamente, de co-financiamento de infraestrutura na África, e cooperação e co-financiamento na área de desenvolvimento sustentável.

Após dez meses de negociações, os bancos centrais do Brasil e da China chegaram a um consenso e também vão assinar o acordo bilateral de troca (“swap”) cambial em moedas nacionais. Em caso de escassez de crédito nos mercados para financiar a atividade das empresas, os bancos centrais chinês e brasileiro vão usar até R$ 60 bilhões de suas reservas para socorrer as empresas.

A presidente Dilma Rousseff chega em Durban no início da tarde, no horário local. O primeiro compromisso de Dilma será uma reunião bilateral com o presidente sul-africano, Jacob Zuma.

Bloqueio russo

Na véspera da abertura do encontro, as negociações em torno do lançamento do banco de desenvolvimento do Brics enfrentavam resistência da Rússia. De fontes próximas do dossiê, a Rússia não quer definir nesta cúpula o montante que cada emergente vai dar para a capitalização do banco. Moscou não vê que vantagens teria com a nova instituição, já que o país possui infraestrutura bem desenvolvida. Durante a reunião de ministros de Finanças, nesta terça, os emergentes farão um esforço para superar o impasse russo.

Nas últimas semanas, as negociações se basearam num aporte inicial de US$ 50 bilhões, dividido equitativamente entre os cinco países. O banco do Brics vem sendo concebido como uma estrutura complementar aos bancos de fomento nacionais, e teria como missão financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável.

Vários detalhes seguem em aberto: qual país vai sediar o banco, sua forma de governança e a data de entrada em funcionamento. Segundo os mais otimistas, não seria antes de 2016.