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"Os Brics não existem", diz Le Monde

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A presidente Dilma é recebida no aeroporto de Durban pelo ministro sul-africano de Obras Publicas, Thembelani Thulas Nxesi. REUTERS/GCIS/Jacoline Prinsloo/Handout

O editorial do jornal "Le Monde" desta quarta-feira (27) destaca o anúncio da criação de um banco de desenvolvimento para "concorrer com o Banco Mundial" e mostrar a força econômica dos países do Sul em relação ao velho continente.


O jornal francês lembra que as reservas cambiais dos Brics representam cerca de 4 bilhões dólares, e o banco teria, em princípio, um capital de 50 bilhões de dólares no caixa. Além da criação deste banco não ser exatamente uma novidade, o jornal questiona como os países poderiam desembolsar, cada um, 10 bilhões dólares para viabilizar o projeto. A Índia e a África do Sul, diz o Le Monde, terão ‘dificuldades para assinar o cheque.’

O jornal também questiona quem solicitará empréstimos junto à instituição, e ressalta que os brasileiros e chineses, por exemplo, dificilmente utilizariam a linha de crédito do banco. A China tem liquidez de sobra, e o Brasil é vítima do fluxo de capitais especulativos, lembra o Le Monde.

Para realizar empréstimos no mercado financeiro, lembra o Le Monde, o futuro Banco de Desenvolvimento ainda deverá obter o triplo A das agências de classificação de risco, para poder beneficiar das mesmas taxas de juros que o Banco Mundial. Segundo o jornal francês, o projeto também mascara as diferenças entre os países que formam os Brics, que buscam se afirmar utilizando a retórica antiocidental em suas reuniões de Cúpula. Para o Le Monde, esse discurso não é base para nenhuma política.

Além das falhas internas : a África do Sul sabe que a China não é popular na África, os russos têm medo do expansionismo chinês, Nova Déli tem uma rivalidade estratégica com Pequim e os brasileiros são contrários à política monetária chinesa. O Le Monde conclui que o grupo não é um bloco estratégico, apenas uma força econômica.