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Transporte a vela polui até 90% menos e se desenvolve na Europa

Por Lúcia Müzell

Na Europa, as pessoas adeptas de hábitos ecologicamente responsáveis já se acostumaram a boicotar as frutas e verduras que vêm de outros países ou continentes, devido à poluição gerada pelo transporte. Agora, o passo seguinte para este princípio é preferir os produtos que são levados por barco a vela, apenas com a força dos ventos, de um lugar para o outro do planeta. O método parece arcaico, mas pode funcionar muito bem com mercadorias que não têm data de validade, a um balanço de poluição muito menor.

Por enquanto, poucas empresas realizam este tipo de transporte, que apareceu na Alemanha e agora existe na França. Guillaume Le Grand, especialista em Economia do Desenvolvimento Sustentável, Energia e Meio Ambiente decidiu transformar um paixão da infância, os passeios a barco a vela com o avô na Bretanha, em negócio. A Transoceanic Wind Transport, TOWT, tem atraído fabricantes que se preocupam em adotar uma logística menos poluente.

Desta forma, produtores de vinhos, roupas ou alimentos não-perecíveis preferem exportar seus produtos a bordo de um barco a vela, ao invés de avião ou cargueiros tradicionais. Guillaume lembra que o transporte marítimo é naturalmente mais demorado porque as empresas querem economizar o máximo possível de combustível, e ressalta que o transporte a vela não é tão lento assim: atravessar o Atlântico leva cerca de 30 dias, enquanto que um cargueiro tradicional precisa de cerca de 20. E se por um lado a técnica de navegação é das mais antigas, com uma frota de barcos do século 20, hoje a tecnologia permite otimizar a escolha do trajeto.

Ainda não existem cargueiros a vela em grandes dimensões, como os convencionais. A capacidade atual é de cerca de 30 toneladas. Por isso, o preço ainda é elevado, mas não faltam pesquisas para construir navios com uma alta capacidade de produtos. Porém em relação à poluição, é diferença é impressionante: as embarcações a vela emitem até 90% a menos de gás carbônico, afinal só precisa queimar combustível na saída do porto e na chegada ao destino.

Os produtos transportados desta forma recebem um selo de "transporte ecológico". E uma das próximas viagens do TOWT é para o Brasil. Ele vai levar vinhos e azeite de oliva, e espera trazer o barco repleto de mercadorias brasileiras para a venda na Europa. Por enquanto, roupas e produtos típicos como a cachaça já garantiram o lugar no container.
 

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