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Snowden afirma ter agido sozinho ao revelar espionagem americana

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O ex-consultor da NSA Edward Snowden está asilado Rússia desde agosto do ano passado. Wikipédia

O ex-consultor da Agência de Segurança Americana (NSA), Edward Snowden, declarou ter agido sozinho ao revelar as informações secretas dos programas de rastreamento dos Estados Unidos. Em entrevista publicada nesta quarta-feira (22), pela revista americana New Yorker, ele nega ter recebido qualquer ajuda do governo russo na divulgação das informações, rejeitando as acusações recentes de parlamentares americanos que seria um espião de Moscou.


“Esta idéia de espião russo é absurda”, declarou em entrevista exclusiva à New Yorker. Asilado na Rússia desde agosto do ano passado, Snowden afirmou ter agido sozinho, “sem a ajuda de ninguém, muito menos de um governo”, ressaltou.

Na entrevista que teria sido criptografada à New Yorker, o ex-consultor da NSA lembrou que, antes de ter obtido asilo na Rússia, onde está desde agosto do no passado, ele passou mais de um mês no aeroporto do país. “Os espiões recebem tratamento melhor que este”, ironizou.

Além disso, Snowden lembrou que não esperava que Moscou seria o país que lhe concederia asilo político, já que ele estava apenas em trânsito na Rússia, quando seu passaporte foi anulado. “Eu deveria continuar minha viagem fazendo uma escala em Havana, mas o departamento de Estado [dos EUA] decidiu que me queria em Moscou e anulou meu passaporte”, completou.

No último domingo, autoridades americanas sugeriram que o ex-consultor poderia ter feito as revelações com a ajuda de alguma potência estrangeira.

De acordo com o presidente do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes Americana, Mike Rogers, há indícios que mostrariam que os russos estariam envolvidos no vazamento. “A maneira como ele preparou sua fuga, seu itinerário, até a forma como ele chegou rapidamente em Moscou conduz a dúvidas”, disse em entrevista à rede de televisão CBS.

“Eu acredito que ele tenha sido ajudado por outros”, disse o presidente da comissão de Segurança Interior da câmara, Michael McCaul para o canal ABC. Para ele, “Snowden não teria simplesmente acordado em uma certa manhã com todas as maneiras de agir sozinho”.

O americano de 30 anos fugiu dos Estados Unidos para Hong Kong em 2013 e obteve asilo político na Rússia de pelo menos um ano. Washington exige a extradição do delator para que ele seja julgado e condenado no país.

Apoio da imprensa americana

Mas se o governo americano promete ser implacável com Snowden, é da imprensa americana que ele vem recebendo o maior apoio no país. No final do ano passado, em sua primeira entrevista desde que chegou a Moscou, ele disse ao jornal The Washington Post ter a consciência limpa ao vazar as informações secretas dos Estados Unidos e “ter cumprido sua missão”.

“Lembrem-se, eu não quis transformar a sociedade. Eu quis dar à sociedade os meios para que ela pudesse tomar suas próprias decisões”, confessou ao Washington Post.

Já o diário New York Times publicou em editorial no começo deste mês um pedido de clemência a Snowden por parte da administração do presidente Barack Obama. Para o jornal, o ex-consultor da NSA “pode ter cometido um crime (...), mas prestou um grande serviço a seu país".