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“Efeito da heroína é semelhante a um orgasmo”, diz médico

Por Patricia Moribe

A heroína injetada na veia leva de sete a oito segundos para surtir efeito e a sensação de euforia é como a de um orgasmo, explica o dr. Sabino Ferreira de Farias Neto, que há 38 anos trabalha diretamente com pessoas sofrendo de dependência química. A heroína é uma droga que vicia fácil, mas é muito difícil de se livrar dela. A última vítima notória foi o ator americano Philip Seymour Hoffman, encontrado morto na última semana em Nova York, com uma seringa no braço e vários papelotes de heroína pelo apartamento. No Brasil, onde a heroína é uma substância rara, a droga que se prolifera é a cocaína ou o crack.

O dr. Ferreira fala sobre três tipos fundamentais de drogas. A depressora do sistema nervoso central tem como exemplos a heroína, a morfina e tranquilizantes. Já a cocaína e o crack são psicoestimulantes do sistema nervoso central. Por sua vez, maconha, LSD e cogumelos são alucinógenos.

A heroína é um subproduto da extração do ópio da papoula, cultivada no sudeste asiático (Birmânia, Laos Tailândia), além do Afeganistão, Paquistão e Irã. Já a cocaína é produzida por apenas três países no mundo, como lembra o dr. Ronaldo Laranjeira, diretor do Instituto Nacional de Políticas de Álcool e Drogas, do CNPq: Colômbia, Bolívia e Peru. Ou seja, países com grande extensão de fronteira terrestre com o Brasil.

Drogas baratas

Apesar de a heroína ser uma droga de preço acessível, podendo chegar a apenas US$ 6 o envelope, ela tem pouca penetração no Brasil. A heroína é consumida principalmente nos Estados Unidos, Europa e Austrália. No Brasil, o domínio fica por conta da cocaína, que chega fácil e barata. Nas ruas de São Paulo, uma pedra de crack custa meros R$3 a R$4, enquanto o grama de cocaína fica por volta de R$6. Nos últimos anos, a produção aumentou e a distribuição da droga “se pulverizou” com eficácia, lembra o dr. Laranjeira, alcançando todo o Brasil, do sul à Amazônia.

O dr. Sabino Ferreira é responsável por uma clinica de reabilitação em Atibaia, São Paulo. Ele conta que os pacientes viciados em heroína que ele tratou tiveram passagem pelos Estados Unidos, como o caso de uma modelo. Ou são médicos com acesso a potentes analgésicos derivados do ópio, como a dolantina.

Vizinhos

“Falta uma política mínima do governo em relação ao problema, com investimento compatível com o tamanho do problema”, lamenta o dr. Laranjeira. “Vai ser difícil a gente sair dessa situação de preço tão baixo e uma distribuição tão bem estruturada e pulverizada, sem esforços diplomáticos, por exemplo, para convencer os vizinhos a limitar o plantio de coca”, acrescenta. Ele lembra que a Bolívia alega uso próprio da coca, mas 80% da produção são direcionados ao Brasil.

 

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