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Prótese de mão revolucionária permite que amputado recupere o tato

Por Leticia Constant

Pela primeira vez no mundo, um protótipo de mão criado por um grupo de cientistas europeus permitiu que um amputado recuperasse o tato. O estudo foi publicado na revista científica Science Translationel Medicine em 5 de fevereiro de 2014. O fato representa um avanço excepcional e uma esperança para milhões de amputados no mundo inteiro.

"Pela primeira vez uma prótese de mão restituiu a sensibilidade do tato em tempo real em um amputado, enquanto ele controlava um sistema sensorial", observa o professor Silvestro Micera, que dirigiu as pesquisas da equipe de cientistas no Centro de neuropróteses da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, e na Escola Superior Santa Anna de Piza, na Itália. O grupo é formado por médicos italianos, suíços, alemães e britânicos, que desenvolveu durante anos uma série de pesquisas sobre a prótese artificial e o toque, no quadro de um projeto chamado "Lifehand 2".

A cirurgia foi feita no final de janeiro de 2013 e, quase um ano depois, o teste clínico final foi realizado com sucesso no hospital Gemelli de Roma.

O paciente

Nove anos depois de perder a mão esquerda em um acidente em casa, manipulando fogos de artifício, Dennis Aabo Sorensen, de 36 anos, tornou-se o primeiro amputado a recuperar o tato.

"Foi incrível, de repente senti coisas que não sentia há nove anos, meus filhos estão achando genial, agora me chamam de 'homem dos fios' , ele diz, sorrindo, reconhecendo que o protótipo representou para ele um renascimento:  "Eu sinto a forma arredondada das coisas, eu sinto calor, eu sinto a maciez... Esse resultado foi totalmente novo para mim e de repente, quando estava fazendo os movimentos, eu pude sentir o que estava fazendo, ao invés de olhar o que estava fazendo".

Como funciona a prótese

Os testes científicos duraram quatro semanas, durante as quais foram implantados eletrodos finíssimos nos nervos periféricos do braço de Dennis. Havia diversos sensores ligados a cada tendão e a cada dedo da prótese. Estes sensores detectaram o nível de força do paciente quando tocava um objeto. Em seguida, esta informação foi utilizada para o envio de estímulos elétricos muito precisos em nervos diferentes a fim de restaurar, em tempo real, a verdadeira sensibilidade no sistema nervoso.

O grande desafio da cirurgia foi garantir que os eletrodos continuariam a funcionar quando fossem implantados no paciente, pois o risco de uma rejeição do tecido não estava descartado. Os eletrodos foram concebidos para serem implantados de forma transversal nos nervos periféricos - uma "première" mundial.

Este foi o primeiro passo rumo à mão biônica completa, capaz de restituir não apenas as funções básicas como também as sensações. Mas ainda serão precisos muitos anos para que a tecnologia esteja disponível para as pessoas amputadas.

Futuro

O cirurgião francês Christophe Mathoulin, um dos maiores especialistas do país em cirurgia da mão, considera que a cirurgia realizada pelos colegas europeus representa um avanço espetacular e se pergunta: "Será que no futuro as próteses artificiais serão tão perfeitas que poderão até mesmo substituir os implantes de mão?".

 

 

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