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Fraco desempenho da Seleção na Copa abala imagem do futebol brasileiro na França

Por Daniella Franco

Nem o anúncio de Dunga como o novo técnico da Seleção brasileira conseguiu aliviar a decepção dos torcedores franceses com as derrotas do Brasil na Copa do Mundo. A competição terminou há quase duas semanas, mas o assunto não sai de pauta. Das zombarias às reclamações, os brasileiros na França continuam tendo que reviver o fraco desempenho do time de Felipão na Copa do Mundo.

Para os brasileiros, a performance da Seleção na Copa são águas passadas. Mas para os franceses, está difícil digerir o fracasso do Brasil no Mundial. A mídia, por exemplo, trouxe de volta o assunto nesta semana, com a nomeação de Dunga para o comando da equipe brasileira.

“O Brasil mergulha mais uma vez em seu passado para construir seu futuro, com Dunga, novo treinador da Seleção, depois da terrível humilhação sofrida no Mundial em sua própria casa e que foi fatal para Luiz Felipe Scolari”, diz uma matéria no site da Euronews. Já para o jornal francês Le Figaro, o novo técnico terá em suas mãos uma equipe “traumatizada” e os torcedores vão ter que esperar muito tempo para ver o “jogar bonito” de volta. Para a rede de televisão France 24, a escolha por Dunga é uma prova “da falta de imaginação do futebol brasileiro” e ressalta a má situação da verde-amarela.

Fim do futebol brasileiro

Esta decepção com o futebol brasileiro não é unânime apenas na mídia francesa, mas também entre os torcedores. Os franceses estão convencidos que a catastrófica derrota de 7 a 1 para a Alemanha, seguida pelos 3 a zero da Holanda contra o Brasil, encerram uma era do futebol brasileiro.

O designer de moda francês Georges Som é um grande fã da Seleção, mas não esconde seu desapontamento ao falar sobre a trágica semifinal. “É uma forte decepção, foi muito difícil ver e viver essa derrota do Brasil contra a Alemanha. Nós sofremos muito ao assistir essa partida, afinal, ninguém queria ver esse resultado. Eu sou um grande fã do futebol de Ronaldo, de Romário. Mas, nesta Copa, a equipe brasileira estava carente de talentos”, avalia.

O produtor de televisão Ahmed Hassaine comprou até camisa da Seleção para torcer para o Brasil, mas diz que agora tem vergonha de usá-la. “Antes da derrota dos 7 a 1, eu saía vestido de torcedor brasileiro e as pessoas pediam para fazer fotos comigo na rua. Depois do jogo da Alemanha, não ouso mais fazer isso: a camisa e a bandana foram para o fundo de uma gaveta. A imagem do futebol brasileiro está arruinada e não temos mais a mesma visão da Seleção”, lamenta, ressaltando que o Brasil não é mais o país do futebol.

Já o empresário franco-português José é mais otimista e tem esperanças de que a Seleção brasileira esteja apenas passando por uma fase ruim. “Quando Portugal saiu da Copa, os portugueses na França passaram a torcer pelo Brasil porque os brasileiros são nossos irmãos. Para mim, a Seleção foi sempre a melhor da América do Sul. Atualmente, a situação é outra, mas acredito que o futebol brasileiro viverá melhores momentos”, acredita.

Torcedores brasileiros na França

Se os franceses não escondem sua decepção, os brasileiros que moram na França sofreram duplamente com os catastróficos 7 a 1. A tristeza de ver o país vivendo a humilhante derrota para a Alemanha também é vivida no dia-a-dia, na escola, no trabalho, e por onde quer que os franceses encontrem os brasileiros.

A assessora de comunicação goiana Denise Rodrigues mora na França há seis anos. Ela conta que, no dia seguinte aos 7 a 1, ao chegar no trabalho, os colegas a olhavam de forma estranha e queriam saber o que havia acontecido com a Seleção. “Algumas pessoas me disseram: ‘achei que você fosse ficar em casa dormindo e chorando debaixo da coberta’”, relembra.

Para ela, a decepção é ainda maior para os conterrâneos que moram fora do país. “Nós não esperávamos esse resultado, principalmente os brasileiros que vivem no exterior. Porque havia essa esperança que a Copa destacasse ainda mais o Brasil, que nos trouxesse resultados positivos, o que não foi o caso”, lamenta.

Dureza também para os futuros craques, aqueles que já estão em campo, esperando um dia fazer parte da Seleção, como Eduardo, de 9 anos, que quer ser jogador de futebol. Ele contou à RFI que chorou quando o meia Toni Kroos fez o terceiro gol para a Alemanha, porque foi ali que percebeu que o Brasil não tinha mais a possibilidade de vencer. “No segundo gol, ainda pensei que poderíamos virar. Mas quando os alemães marcaram pela terceira vez, pensei: ‘não vai dar’. A Seleção não estava pronta para essa Copa”, analisa.

Mas o pior foi quando Eduardo teve que encarar os comentários dos colegas da escola de futebol onde treina, na região parisiense. “Meus amigos não paravam de falar: ‘que decepção que deve ser para você, seu país perdeu a Copa do Mundo’ ou ‘que pena, pensávamos que o Brasil iria ser campeão”, relembra.

Desilusão x superioridade

O editor da Revista Placar, Marcos Sergio Silva, acredita que esse sentimento de decepção em relação ao futebol brasileiro se deve ao complexo de superioridade que carrega a Seleção. “A equipe brasileira e seus dirigentes, desde 1994, desenvolveram esse sentimento de superioridade. Desde então, eles passaram a pensar que ninguém joga futebol melhor do que o Brasil. E quando você tem esse tipo de sentimento, você acredita que não precisa melhorar, reavaliar ou fazer reformas dentro do time”, analisa.

Para o jornalista, a supremacia do futebol brasileiro terminou em 2006, quando o Brasil perdeu de um a zero para a própria França nas quartas de final da Copa da Alemanha. “Depois desta partida, vemos um Brasil completamente desnorteado. Faz oito anos que a Seleção não sabe para que lado caminha, não tem nenhum tipo de projeto sobre a formação dos atletas, sobre os clubes que vão fornecer jogadores para o time... O Brasil está andando em círculos”, conclui.

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