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França quer reduzir 50% do consumo de energia até 2050

Por Lúcia Müzell

Os deputados franceses começaram a analisar um ambicioso plano de transição energética, apresentado pela ministra da Ecologia, Ségolène Royal, nesta quarta-feira (1º). O projeto de lei é a maior promessa ambiental da campanha do presidente François Hollande e também pode colocar a França em uma posição de vanguarda para a Conferência do Clima de Paris de 2015.

Entre os principais objetivos do projeto estão a redução pela metade do consumo de energia até 2050, a diminuição de 30% do uso dos combustíveis fósseis em 2030 e a queda da participação da energia nuclear de 75% para 50% da matriz até 2025, com aumento de 32% da parcela das energias renováveis. Com essas e outras medidas, a França ainda pretende reduzir em 40% as emissões de gases de efeito estufa nos próximos 15 anos.

O texto deve ser votado até o fim do ano, um calendário acelerado pelo governo francês para poder apresentar as mudanças na Conferência do Clima de 2015, que acontece na França. O economista Jacques Percebois, especialista em energia da Universidade de Montpellier, avalia que alguns prazos de implementação do projeto podem ser curtos demais, principalmente o do fechamento de usinas nucleares. Atualmente, a França é o país que mais depende da energia nuclear do mundo.

“Os políticos têm ambições que, no início, parecem difíceis de atingir, mas a vontade política às vezes surpreende e permite chegar a esses objetivos. Por enquanto, ainda é complexo de determinar se, no contexto atual, esse projeto é realista no espaço de tempo em que se propõe”, afirma. “Reduzir em 50% o consumo de energia até 2050 não é impossível, mas é muito ambicioso. Vai necessitar grandes mudanças de comportamento e nas tecnologias.”

Investimentos

Percebois afirma que os planos de transição energética são bem recebidos pelos franceses, mas a população não está disposta a ver a conta de luz disparar para financiar as mudanças. Para o governo, a maior contribuição dada pelos franceses é realizar o isolamento térmico das casas, para evitar desperdício do aquecimento durante o inverno – o gasto que mais pesa no consumo energético dos lares.

“É preciso ser coerente. Não se pode dizer que vamos fazer economias de energia e ao mesmo tempo manter as tarifas baixas. Os consumidores estarão prontos a colocar a mão no bolso até um certo ponto, com limitações”, destaca. “Por outro lado, eles são bem mais dispostos a melhorar o isolamento térmico das suas casas, principalmente se receberem financiamento para isso.”

Michel Colombier, diretor científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI, ligado à Sciences Po), avalia que a França “pode e deve” adotar o pacote. Ele ressalta que o objetivo de reduzir em 50% o consumo de energia não significa diminuir em 50% o consumo de eletricidade.

“A redução do consumo vai acontecer, entre outros fatores, pela migração de uma parte do consumo tradicional em direção à eletricidade. Este vai ser o caso dos veículos elétricos, por exemplo. Há procedimentos industriais que são muito mais eficientes, em termos de energia, quando baseado na eletricidade”, explica. “É por esse caminho, através da eletricidade, que é preciso olhar o objetivo de diminuição da parcela de energia nuclear na França. É o momento de nos perguntarmos se queremos diversificar as nossas fontes elétricas e ficarmos em uma situação de menos riscos e menos dependência de uma única matriz.”

Pouco dinheiro

As organizações ambientais ficaram satisfeitas com o projeto, mas consideram os recursos colocados à disposição para a transição energética, de 10 bilhões de euros em três anos, são insuficientes. “Com esse valor, apenas um quarto dos objetivos poderão ser cumpridos. Por enquanto, não é uma lei da transição energética: é uma lei da estagnação energética”, reclama Benoit Hartmann, porta-voz da entidade France Nature Environnement, que protestou na terça-feira (30) contra os valores colocados à mesa. “Não se pode dizer aos franceses que haverá uma diminuição do uso do petróleo sem apresentar um plano para mudar o sistema de transportes e a maneira como transportamos mercadorias por caminhões, por exemplo.”

Na Conferência de Paris, os países vão negociar o primeiro grande acordo internacional de redução de emissões de gases desde o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997.
 

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