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Estudantes africanos são perseguidos na Rússia após suspeita de ebola

Por Silvano Mendes

O caso de dois estudantes hospitalizados na Rússia, suspeitos de serem portadores do vírus do ebola, levantou a questão da instrumentalização da epidemia para alimentar discursos anti-imigração. Reportagens associando os estudantes africanos na cidade de Ariol à doença criaram um clima de “caça às bruxas” na região.

Depois dos primeiros casos de ebola registrados fora do continente africano, as autoridades ocidentais estão cada vez mais mobilizadas para evitar a propagação do vírus pelo mundo. Além da vigilância na hora do embarque na Libéria, Serra Leoa e Guiné, alguns países ocidentais adotaram medidas de controle sanitário reforçadas na hora do desembarque dos voos vindos das três nações mais atingidas pela doença.

Mas em alguns lugares essas medidas tem desencadeado episódios de discriminação. Um exemplo disso ocorreu nesta semana na Rússia, onde dois estudantes vindos de Guiné Bissau foram hospitalizados logo após o desembarque na cidade de Oriol, a cerca de 500 km de Moscou, perto da fronteira com a Ucrânia. Eles faziam parte de um grupo de bolsistas financiados pelo governo russo. Como os jovens, de 18 e 19 anos, apresentavam febre, as autoridades decidiram colocá-los em quarentena. Além disso, a cidade universitária, onde vive a maioria dos estudantes africanos na região, foi desinfetada.

Até agora, não há confirmação de que os dois estudantes seriam portadores do vírus, mas a ação das autoridades, que deveria ser preventiva, deu início a uma verdadeira “caça às bruxas”, na qual os africanos passaram a ser diretamente associados à febre hemorrágica. Reportagens nos telejornais, filmados em frente da cidade universitária, afirmavam que os guineenses hospitalizados estavam contaminados. “Começaram a publicar nas redes sociais russas que iriam matar os africanos que encontrassem nas ruas”, comenta Siciliano Elísio Mendes Barbosa, estudante em Ciências Políticas e representante dos alunos estrangeiros em Oriol. “Já tentaram agredir duas jovens guineenses, que conseguiram fugir”, relata.

Estudantes africanos têm medo de sair de casa

O clima de pânico se instaurou entre os cerca de 150 africanos vivem em Oriol, 63 deles vindos de Guiné Bissau. “Estamos todos juntos na cidade universitária e resolvemos não sair nas ruas enquanto essa situação não for resolvida”, conta Elísio.

Para ele, a falta de informação é a principal fonte dessas tensões, já que até agora Guiné Bissau não registrou nenhum caso de ebola. “Muitos russos não tem acesso às informações. Temos várias Guinés do mundo e os casos de ebola estão apenas na Guiné” tenta explicar.

O representante dos estudantes ressalta que casos de discriminação visando os estudantes africanos são frequentes na região, mas que a epidemia de ebola tem aumentado os atritos. “Sempre vivemos isso em silêncio, mas desta vez quisemos alertar, pois nos ameaçaram de morte e, se não tomarmos uma providência, um de nós pode perder a vida.”

Estigmatização na Itália

A Rússia não é o único país onde a epidemia de ebola tem sido instrumentalizada para embasar um discurso contra a imigração. Na Itália, o partido de extrema-direita Liga do Norte vem pedindo que os todos imigrantes africanos que entram no território italiano sejam colocados em quarentena. A medida visaria principalmente os clandestinos capturados na operação Maré Nostrum, criada em 2013 para impedir a entrada de ilegais pelo litoral do país.

Mas para Marta Bronzin, chefe de missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM), essa teoria de contaminação por meio de clandestinos por via marítima é praticamente impossível. “Uma pessoa que sai de um dos países da África subsaariana – e apenas três deles registraram casos de ebola – leva dois ou três meses para chegar em seu destino, enquanto que o período de encubação da doença é de apenas vinte dias. É uma viagem tão dura, que ninguém sobreviveria. Até uma pessoa em boas condições de saúde pode não suportar, então imagine alguém com ebola. É impensável.”

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