rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Fato em Foco
rss itunes

Governo terá novos velhos desafios pela frente

Por Patricia Moribe

O governo do Brasil vai ter grandes desafios pela frente, novos ou não. Representantes dos setores de educação, saúde, direitos de indígenas e de deficientes físicos falam a respeito, a seguir.

A médica Elena de Carvalho Stenfeld fala que o principal problema da saúde pública é a falta de investimentos:

“A situação não é boa, é inadequada e vem caindo há vários anos. Faltam investimentos na infra-estrutura física, com áreas específicas para fazer curativos, para atendimento – que implica em risco de infecção. Também falta material de trabalho: medicamentos, luvas, fio de sutura etc. Falta pessoal, desde técnico e auxiliar de enfermagem, enfermeira, médico, operador de raio X. A população cresce e portanto, a assistência à saúde também precisa acompanhar o ritmo”.

Carlos Roberto Medeiros Cardoso é professor e diretor de uma escola na periferia de São Paulo:

“Um problema gritante é a mercantilização da educação. Não existe um modelo progressista, inclusive o PT tem na cidade de São Paulo um modelo conservador. A questão agora é avançar na implementação da aplicação de recursos dos 10% do PIB e conseguir uma maior autonomia das escolas, ou seja, de democratização da escola. A educação atual é muito servil ao sistema, aos interesses do capital.”

Vanessa Yara Gonçalves é analista de documentação e deficiente física:

“O estatuto da pessoa com deficiência física existe, pelo menos em relação a cotas nas empresas, existe desde 1984, mas só passou a ser cumprida no governo Lula. É importante que isso se mantenha. Acho também importante que os espaços educacionais levem em conta a mobilidade e as necessidades das pessoas com deficiência. A saúde é outra questão que ficou de lado nas últimas gestões, com relação a produtos voltados à adaptação. Tem ainda a questão de impostos – houve por exemplo a liberação de impostos para carros, mas falta para a adaptação de elevadores, por exemplo, ou para produtos muito específicos importados.”

O sociólogo e professor Emerson Guarani Ñandeva fala sobre a questão indígena:

“No ano que vem, os direitos indígenas vão ser confrontados pela bancada ruralista, que cresceu muito. Sem uma reforma política, a representividade indígena vai continuar ‘zero’, não há um representante indígena no congresso nacional. É preciso começar a discutir a questão da PEC 215, o projeto de emenda constitucional que pretende alterar o artigo 231, que garante os direitos das terras indígenas. As decisões passariam para o legislativo. Você perde o presidente da República e todos os dispositivos, como Funai, e outros processos regulatorios como principais referências da defesa dos direitos dos territórios indígenas no Brasil.

 

Para brasileiros em Paris, violência urbana no Brasil ainda é pior que terrorismo

Pesquisa aponta que franceses aceitariam menos liberdade em troca de segurança

Nova regra francesa de doação de sangue impõe abstinência sexual para doadores gays

Campanha contra bullying prejudica imagem do professor, dizem sindicatos da França

Presença do Irã em negociações sobre a Síria é essencial para a paz

Motivo de polêmica no Enem, Simone de Beauvoir foi fundamental para o feminismo

Analista em Berlim diz que só "base recosturada" pode afastar impeachment de Dilma