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Para imprensa, participação de Hollande em programa na televisão é um "exercício arriscado"

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O presidente francês, François Hollande, durante entrevista no jornal do canal TF1 em 15/09/13. © TF1

Hoje, dia 6 de novembro, o presidente François Hollande chega à metade do seu mandato de cinco anos. Mas, ao que parece, dois anos e meio foram suficientes para decepcionar os franceses. E os jornais destacam esse desamor do eleitorado e a tentativa de Hollande de se aproximar dos franceeses por meio de um programa na televisão nesta quinta-feira (6) à noite.  


"Hoje à noite, é tudo ou nada". Assim o jornal "Aujourd'hui en France" descreve o que está em jogo na participação de François Hollande em um programa especial, ao vivo com uma hora e meia de duração diante de um auditório e de jornalistas. Para o jornal, um deslize no programa que vai ao ar no horário nobre da televisão francesa pode custar caro para o presidente que é "mais impopular do que nunca". Aujourd'hui en France destaca ainda que uma recente pesquisa do instituto Ifop revela que apenas 14% dos franceses se dizem satisfeitos com o governo de François Hollande. Quando ele assumiu o cargo, há dois anos e meio, a sua taxa de popularidade era de 61%, lembra o jornal.

Analistas não acreditam em bom desempenho de Hollande

Para o diário econômico "Les Echos", o programa de hoje à noite vai ser a "hora da verdade", mas muitos analistas se mostram céticos. Um exemplo é Denis Muzet, um sociólogo especialista no comportamento da mídia entrevistado pelo jornal. Muzet diz que vai ser muito difícil para Hollande ser bem-sucedido nesse programa. "Até hoje, Hollande fracassou nas tentativas de convencer os espectadores na televisão", diz o socioólogo.

Segundo ele, o melhor canal de comunicação entre Hollande e os franceses é a entrevista coletiva, porque ela é mais "ritualizada". Um programa de televisão como o de hoje à noite com auditório e perguntas diretas feitas por franceses é "íntimo demais para Hollande". Para o especialista, o presidente "se comunica melhor quando ele escreve". Mas ele tem usado pouco esse recurso.

Ainda não é tarde demais para Hollande salvar os próximos anos do seu mandato. Um conselho do especialista para o presidente é apostar mais no terreno internacional, onde o presidente tem tido, até aqui, o seu "melhor desempenho", avalia Denis Muzet.

Os sete erros de Hollande 

Já para o conservador "Le Figaro", nada tem funcionado no governo de Hollande nessa metade de mandato e o jornal enumera os 7 maiores erros do presidente francês. O primeiro deles, segundo o jornal, é o de não ter sabido passar uma imagem de estadista aos franceses. "Ele foi eleito com a promessa de instalar a normalidade no Eliseu, mas nunca soube encarnar o papel de presidente" , alfineta o jornal.

A lista de erros de Hollande continua ao longo de duas páginas. Entre eles, o Figaro também fala dos "resultados econômicos nulos", da "curva do desemprego que até hoje não baixou" e da "perda de influência da França na Europa".

Um editorialista do jornal avalia que, diante de tantos problemas, apenas um prorgama de televisão não será suficiente para aumentar a credibilidade de Hollande. O texto tambem compara Hollande aos ex-presidentes François Mitterand, Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy. Hollande, é claro, sai perdendo na comparação. "Para uma maioria esmagadora, Hollande é um fracasso irreversível. Para a opinião pública, essa página já foi virada", escreve o jornal.