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Especialistas falam dos riscos de maquiagem para crianças

Por Silvano Mendes

Influenciadas pelas bonecas, pela televisão ou pelos próprios pais, é cada vez maior o número de crianças que se interessam por cosméticos e maquiagem. O fenômeno não é recente, mas de uns tempos para cá as marcas têm criado produtos especialmente para os pequenos e já é possível ver vídeos na internet com meninas de menos de dez anos de idade dando dicas de como se maquiar. Mas será que essa prática representa algum risco ? A reportagem da RFI conversou com duas especialistas no assunto, que esclarecem as dúvidas.

Se no Brasil o mercado de maquiagem para crianças ainda balbucia, na Europa e nos Estados Unidos o número de marcas que propõem linhas especialmente concebidas para o público infantil é cada vez maior. No entanto, isso não impede que meninas no mundo todo brinquem com o estojo de maquiagem de suas mães, o que pode representar um verdadeiro risco. Isso porque, mesmo se a partir dos três anos de idade a pele de uma criança é anatomicamente muito parecida com a de um adulto, alguns cuidados especiais se impõe.

“Normalmente a gente desaconselha as crianças a usarem produtos de maquiagem, sejam faciais ou esmaltes, pois elas têm uma barreira cutânea diferente dos adultos. Até os cinco ou seis anos de idade, a espessura e a quantidade de substâncias nessa barreira cutânea ainda não estão sendo totalmente usadas, o que torna a pele mais permeável”, explica a dermatologista pediátrica Selma Helene, membro da Sociedade brasileira de dermatologia.

Conservantes na mira

Diante dessa especificidade, alguns agentes químicos podem ser muito mais nocivos que outros quando aplicados na pele de uma criança. Sônia Corazza, engenheira química especializada em cosmetologia, lembra que os conservantes estão entre os componentes mais agressivos. Além disso, alguns produtos são mais perigosos que outros. “Não se deve usar um esmalte de adulto em uma criança, pois ele tem uma base de solvente orgânico, enquanto que um esmalte infantil vai ter uma base aquosa. Eles não duram tanto tempo e não tem a mesma gama de cores, mas são muito mais seguros”, explica a profissional, que trabalha há quase 40 anos como formuladora de cosméticos.

E ao contrário do que muitos podem pensar, as maquiagens de fantasias, usadas em festas escolares, nem sempre são as mais nocivas. “É menos perigoso passar uma tintura para fazer uma carinha de bichinho no rosto inteiro da criança do que passar um batom ou uma sombra, pois tudo que entra em contato direto com a mucosa, na área do olhos ou dos lábios, exige mais cautela, pois são portas de entrada importantes para o organismo”.

Além disso, como lembra a doutora Selma Helene, o uso de cosméticos em crianças pode ter repercussões futuras. Segundo ela, existem substâncias que são extremamente alergênicas e tornam o organismo mais sensível, pois algumas, ao serem aplicadas com frequência, podem entrar na corrente sanguínea. “A gente usa algo que parece inocente, mas na verdade você está predispondo a criança, que não tem nenhuma barreira cutânea, a substâncias que podem criar dermatoses importantes imediatamente ou a médio e longo prazo”, ressalta a médica.

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