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Legislativas antecipadas do Japão serão teste para premiê Shinzo Abe

Começa oficialmente nesta terça-feira (2) a corrida eleitoral para o parlamento japonês. O primeiro-ministro Shinzo Abe tinha dissolvido oficialmente a Câmara dos Deputados no final de novembro, preparando o terreno para uma eleição antecipada agora em dezembro. O pleito é visto como um referendo sobre a política do líder japonês, questionado desde que a economia do país entrou tecnicamente em recessão no mês passado.

Ewerthon Tobace, correspondente da RFI Brasil em Tóquio

Ainda faltam dois anos para o término do mandato de Abe, mas o primeiro-ministro considerou necessária essa dissolução da câmara para rever uma lei votada em 2012 sobre o aumento do imposto sobre consumo. O premiê pretende agora adiar para abril de 2017 um segundo reajuste desta mesma taxa, que estava previsto inicialmente para outubro do ano que vem. O primeiro aumento, adotado em abril deste ano, prejudicou a retomada do crescimento e contribuiu para o país entrar em recessão.

Ao justificar a dissolução, Abe explicou que toda decisão relativa ao sistema fiscal, que tem forte influência na vida da população, deve ter o aval dos eleitores. Ele quer saber se a população acredita realmente nos planos dele para poder continuar.

A decisão do premiê causou surpresa, já que ele dispõe de uma maioria confortável na casa, com o apoio de dois terços dos deputados.

As eleições antecipadas devem acontecer em 14 de dezembro e o número de cadeiras vai diminuir de 480 para 475.

Campanha eleitoral

Com certeza, a política econômica e externa de Abe e o aumento do imposto sobre consumo deverão ser bastante questionados nesta campanha. O Japão entrou em recessão no terceiro trimestre deste ano, com uma queda de 1,6% em seu Produto Interno Bruto. A baixa foi inesperada, pois o primeiro-ministro havia implantado em abril o reajuste no imposto sobre vendas com objetivo de melhorar a economia.

Mas a ideia parece não ter dado muito certo, apesar do governo insistir em continuar o plano.

Ontem (1°), Abe realizou um debate na TV com líderes dos partidos de oposição. Além da economia, a crítica mais pesada foi contra a mudança na constituição pacifista do Japão, que pode permitir que as forças de autodefesa possam participar de operações militares no exterior, e a questão da energia nuclear. O primeiro-ministro defende a reativação das usinas nucleares existentes no país, que estão paradas desde o desastre de Fukushima, em 2011.

Expectativas

A decisão do primeiro-ministro pegou a oposição de surpresa. Além disto, o Partido Democrático do Japão, principal concorrente do atual partido governante, o Liberal Democrático, não conseguiu se recuperar da trágica experiência de ter ficado no poder por três anos, de 2009 a 2012. Depois de conseguir o feito histórico de garantir 308 cadeiras das 480 na câmara, o partido de oposição praticamente desapareceu no pleito de 2012, garantindo apenas 57 vagas.

Para estas eleições, os analistas políticos dizem que o partido de Abe deve perder de 20 a 30 cadeiras, mas é praticamente impossível que a oposição volte ao poder. O Partido Democrático do Japão não tem nem candidatos suficientes para assegurar a maioria. São apenas 170 deputados concorrendo às 475 vagas.

Para os estudiosos, Abe decidiu convocar as eleições agora para tirar proveito de uma oposição enfraquecida e conseguir uma maioria na câmara para os próximos quatro anos.

Rating rebaixado pela Moody's

Para piorar o quadro, o Japão teve sua nota da dívida soberana rebaixada em um patamar, de Aa3 para o nível A1, pela agência de classificação de risco Moody’s.

A agência norte-americana afirmou que a perspectiva é estável, mas alegou um aumento nas incertezas sobre a capacidade do país cumprir sua meta de redução de débito. E a própria imprensa japonesa já vem destacando este problema há muito tempo. A dívida pública da terceira maior economia mundial é superior a 200% do PIB, uma das mais elevadas entre os países desenvolvidos.

O anúncio do rebaixamento fez com que o iene tivesse ontem a maior desvalorização em sete anos frente ao dólar, e empurrou o mercado futuro de títulos de 10 anos do governo japonês para baixo em 10 pontos.

A Moody's disse que a decisão de Abe de adiar o aumento do imposto, previsto para o ano que vem, pode ajudar a economia no curto prazo. No entanto, ficou mais difícil para o país alcançar a meta de equilibrar o orçamento até 2020, isto por causa dos gastos do governo em crescimento, particularmente em programas sociais associados com a população que envelhece rapidamente.

 

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