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Ceia de Natal francesa em 2014 tem mais trufas e frutas exóticas

Por Lúcia Müzell

Salmão defumado, foie gras, ostras e, é claro, peru. A ceia de Natal na França tem tradições incontornáveis, mas também é o momento ideal para experimentar novas receitas. Neste ano, é a vez de abusar de trufas e frutas exóticas.

A multiplicação dos blogs, aplicativos e programas de televisão nos últimos anos confirma: a culinária é uma paixão que está no DNA dos franceses. Na noite de Natal, a criatividade é posta à prova para encontrar receitas diferentes de entradas, pratos principais e sobremesas. A ceia natalina é a ocasião preferida para ousar, constata Xavier Terlet, especialista em inovação alimentar e diretor da consultoria XTC.

“Sempre tem novidades, até nas festas tradicionais. Em geral são ingredientes novos, mas também podem ser os clássicos, apresentados de uma maneira diferente”, garante. “Neste ano, todos os cogumelos estão em alta, em especial as trufas. A trufa volta com força, mas não misturada ao foie gras, como a gente estava acostumado. Ela vem em forma de biscoitos de aperitivo ou na massa, preparada com azeite de trufa.”

Viagens à mesa

Outra maneira de surpreender os convidados é colocar ingredientes raros nas receitas tradicionais. A ceia de 2014 vai integrar frutas pouco conhecidas dos franceses, como carambola e yuzu, que vem da Ásia. Christophe Duhamel, um dos criadores do Martmiton, o maior site de culinária do país, percebe que a procura por receitas com um toque excêntrico aumentou.

“Era uma coisa superinovadora dos restaurantes estrelados. As pessoas não usavam frutas exóticas no período das festas, mas agora elas deram esse passo. Elas viajam muito e se influenciam por outras correntes e pela cozinha fusion”, explica.

Duhamel observa que, para variar dos pesados pratos principais do jantar, as receitas à base de carnes cruas têm sido bastante acessadas. Os tartares são boas opções de entrada.

“É a influência do ceviche sul-americano, que a gente revisita fazendo um peixe ou um fruto do mar cru, em especial as vieiras, e acrescentando uma fruta cítrica, como o limão ou a laranja”, relata. “Tem funcionado bem, e ainda por cima traz um ar fresco e picante para o início do jantar que é muito apreciado.”

Mais descontração

A tendência também é fazer uma refeição mais descontraída – uma verdadeira quebra de paradigmas no país, onde a sequência de pratos servidos à mesa é um costume difícil de mudar. “Cada vez mais a refeição de Natal é feita em torno de uma mesa de centro, principalmente pela nova geração. É como se fosse um grande aperitivo”, constata Terlet. “A diferença é que tudo feito com produtos de alta qualidade, servidos em porções. Tem peixe, carne, ostras. Não falta nada, mas é tudo mais descontraído. Esse é um comportamento relativamente novo.”

Além disso, os franceses não têm mais medo de fugir da regra e juntar receitas diferentes, por mais que se mantenham dentro das tradições natalinas. A bûche, a sobremesa de chocolate que não pode faltar na ceia, ganha novos sabores, relata Duhamel.

“Vamos pegar duas receitas e misturá-las. Por exemplo: fazer uma bûche de limão com merengue. Também pode ser uma bûche à la tiramissu, com xarope de açúcar e um pouco de café, colocar um creme de mascarpone dentro e cacao em pó por fora”, exemplifica. “Vai dar uma bûche que se parece com uma, mas também se parece com outra receita. A ideia é surpreender um pouco as pessoas, ao mesmo tempo em que elas vão encontrar coisas conhecidas.”

Pausa nos princípios

Duhamel destaca que, nesta época do ano, os franceses também deixam os princípios de ética gastronômica um pouco de lado. A preocupação em comprar produtos locais e da estação acaba em segundo plano, em nome de uma noite excepcional.

“Antes de mais nada, Natal é festa e prazer. As considerações éticas e morais vêm depois. As pessoas prestam atenção a isso no dia a dia, mas se elas quiserem ter uma fruta exótica que vem do outro lado do mundo, elas vão comprá-las”, afirma.

Vale destacar que boa parte do orçamento de Natal dos franceses vai para a ceia. Pelo menos 20% do valor gasto nesta data vão para comidas e a bebidas.

 

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