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Governo usa detenção de traficantes para desviar foco de problemas no México

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, venceu uma batalha, mas está longe de vencer a guerra contra o narcotráfico. A prisão do líder do cartel Los Zetas, Omar Trevino, nesta quarta-feira (4) por agentes da polícia e militares mexicanos na fronteira com os Estados Unidos, foi elogiada pela agência antidrogas americana. Ele é segundo criminoso mexicano preso em uma semana. Enquanto isso, Peña Nieto está em visita oficial ao Reino Unido, onde é questionado sobre as repetidas violações aos direitos humanos em seu país.

Fernanda Brambilla, correspondente da RFI no México

O tema central do encontro de Pieña Nieto com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em Londres, é uma das questões fundamentais para o México: a questão dos direitos humanos, ou melhor, a ausência deles no país.

Cameron cobrou de Peña Nieto melhorias no sistema judiciário mexicano em um almoço dos líderes em Downing Street, a residência oficial do governo britânico. Do lado de fora, centenas de manifestantes lembravam a Peña Nieto que o massacre dos estudantes de Ayotzinapa não foi esquecido também na Grã-Bretanha.

Em entrevista ao diário The Guardian, o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg e o magnata Richard Branson, declararam que “a guerra ao terror mexicana é um fracasso miserável” e que o México “enfrenta uma farsa colossal com a manutenção do status quo”.

Prisão do lider do cartel Los Zetas

Omar Treviño, ou o z-42, é o líder do grupo narcotraficante Os Zetas, enraizado no México, além de países das Américas Central e do Sul, conhecidos internacionalmente pelos assassinatos com uso de extrema violência e tortura. A captura acontece dois anos depois da prisão do irmão de Omar, Miguel, de quem ele herdou o comando.

Ele foi encontrado em uma mansão avaliada em $ 1 milhão, em um bairro de alto padrão do município de San Pedro Garza, no estado de Nuevo León. Descrito pelas autoridades mexicanas como extremamente violento, inescrupuloso e sanguinário, Treviño é associado diretamente com ao menos dois episódios de massacres que tiveram ampla repercussão no país.

Em 2010, liderou a matança de um grupo de 73 imigrantes que tentavam chegar aos Estados Unidos por terra. O episódio ficou conhecido como a matança de San Fernando, vilarejo onde os corpos foram encontrados em condições semelhantes aos dos 43 estudantes desaparecidos de Ayotzinapa no ano passado - esquartejados e carbonizados.

No ano seguinte, Treviño comandou um ataque a um cassino na capital de Nuevo León, Monterrey. O proprietário do estabelecimento teria se negado a pagar o "aluguel" aos Zetas, prática comum dos criminosos que dominam a área, e a represália foi um incêndio criminoso que deixou 52 mortos.

Segundo criminoso detido em uma semana

Em cinco dias, essa é a segunda detenção anunciada pelas autoridades. Na semana passada, o líder dos Cavaleiros Templários, grupo criminoso da região de Michoacán, conhecido como Tuta, Servando Gomez Martinez, foi preso por um comando militar.

Dessa forma, o governo mexicano usa o espetáculo midiático para desviar o foco de suas mazelas sociais. Não que as prisões não sejam relevantes, elas são. A captura de Treviño é um golpe forte nas cabeças dos Zetas, o fim de uma era de comando dos irmãos.

Enfraquecer o narcotráfico tem a ver com dinheiro também. Estima-se que o grupo criminoso lucra em média $ 5 milhões por ano. É daí que vem a felicitação por parte da Agência Antidrogas Americana (DEA). Os americanos estão interessados nas empresas fantasmas e na lavagem de dinheiro por trás do narcotráfico.

Novidades sobre o caso dos estudantes desaparecidos

A grande novidade que deve influenciar e muito os novos rumos do caso Ayotzinapa foi a nomeação da nova titular da Procuradoria Geral da República, organismo responsável pelas investigações. O antigo delegado, Murillo Karam, foi transferido para outra Secretaria, depois do fracasso em chegar a uma conclusão sobre o desaparecimento dos 43 estudantes.

O curioso é que no mesmo dia em que o governo anunciou a captura do narcotraficante Tuta, a Televisa, grupo midiático mais importante no México, deu em primeira mão a notícia da nova titular da Procuradoria. Trata-se de Arely Gómez, uma senadora do PRI, o partido presidencial, irmã do vice-presidente da Televisa. A escolha que levantou muitas suspeitas sobre a imparcialidade do organismo daqui pra frente.

O que parecia uma coincidência ganhou ares mais pesados de distorção midiática quando, nesta semana, quando a situação se repetiu: Treviño foi preso no mesmo dia que a Câmara apresentava uma lei polêmica e muito controversa, que propõe a privatização do consumo de água. A Lei Geral de Águas pretende mudar o que hoje é considerado um direito de todo mexicano e autorizar a construção de uma nova infraestrutura hidráulica em todo o país a partir de licitações.

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