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Frente Nacional atrai candidatos de origem portuguesa

Por Cíntia Cardoso

As eleições departamentais da França, que acontecem entre os próximos dias 22 e 29 de março, devem consolidar a Frente Nacional (FN) como uma das grandes forças políticas do país. E, curiosamente, o partido de extrema-direita, conhecido por sua política anti-imigração, tem, entre os seus candidatos, muitos de origem estrangeira.

Levantamento feito pelo Lusojornal revela que o partido é o que mais concentra candidatos de origem portuguesa. Carlos Pereira, diretor da publicação, explica porque um partido que defende a supressão da dupla nacionalidade e uma rígida política de imigração seduz tantas pessoas de origem estrangeira.

“A Frente Nacional não tem um viveiro de candidatos tão grande quanto outros partidos. Isso talvez possa explicar porque haja mais candidatos [de origem portuguesa] na Frente Nacional que em outros partidos. (...) Muitos portugueses, filhos de imigrantes, são considerados os bons exemplos da imigração e consideram que os outros não são bons exemplos de integração”, avalia Carlos Pereira.

O jornalista faz a ressalva, porém, que esse contingente de portugueses filiados à Frente Nacional não significa que a comunidade portuguesa na França seja, em sua maioria, simpatizante das ideias da extrema-direta. Os candidatos lusodescendentes, aliás, rejeitam o rótulo de xenófobos. Um exemplo é Isabel Costa. Aos 55 anos, ela vive desde os 10 anos na França. As 18, ela se naturalizou francesa e, neste ano, é candidata pela primeira vez. Para a RFI, a candidata do cantão de Cholet, no oeste da França, explicou o que a atraiu na Frente Nacional, partido do qual é militante há 3 anos.

“Antigamente o pai da Marine Le Pen [Jean Marie Le Pen] tinha outras ideias que eram muito diferentes das ideias da sua filha. Ela é diferente, (...), tem idéias novas. A Frente Nacional mudou e é hoje, o único partido, capaz de dar esperança aos franceses”.

Quanto à polêmica em torno da dupla nacionalidade, ela minimiza a questão e diz que, dentro do partido, há espaço para o debate. “Sou portuguesa e há muitas pessoas naturalizadas francesas no nosso partido. Podemos ter as duas nacionalidades e viver em França”, ponderou.

Frente Nacional “light”

O discurso da Frente Nacional para atrair os eleitores é o de bater na tecla do desemprego crescente e das dificuldades econômicas. A promessa de resolução desses problemas cotidianos ofusca polêmicas sobre a imigração, por exemplo. Com essa plataforma mais "light", o partido desponta com força não apenas para esse pleito, mas, também, para as eleições presidenciais em 2017.

Christophe Pereira, outro candidato de origem portuguesa, declara sua confiança no programa do partido para a França. Ele disse que foi simpatizante da UMP por vários anos. Mas se disse decepcionado pelo partido de direita presidido pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy. “No fundo, vi que a UMP e o Partido Socialista não diferem muito. São uma política velha e não representam mais os interesses dos franceses”, argumentou.

Para o jornalista do Lusojornal Carlos Pereira, esse desencanto com a política tradicional explica o recente sucesso da Frente Nacional nas urnas. “Não vejo um crescimento da Frente Nacional. Vejo uma descida catastrófica dos partidos tradicionais. A UMP, o Modem, o PS estão a perder eleitores todos os dias. (...) O discurso mais ‘soft’ da Marine Le Pen ajuda, evidentemente, mas não é a Frente Naiconal que está a ganhar são os outros que estão a perder”.

Partido rejeita rótulo de extrema-direita

Assim como a líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, Christophe Pereira rejeita o rótulo de extrema-direita. Filiado há 3 anos, ele repete com convicção, as linhas gerais da Frente Nacional.

“Não gosto dessa etiqueta de extrema direita, porque, se compararmos a extrema direita de outros países com o da Frente Nacional, não são semelhantes. A Frente Nacional é um partido popular que defende interesses nacionais”, disse que defende o cantão em Saint Ouen, na região parisiense.

Nessas eleições, Christophe Pereira avalia que são debates locais, como a defesa do poder dos Departamentos franceses que estão em jogo, mas avaliou que os eleitores vão votar, naturalmente, guiados pelo programa geral do partido. “A Frente Nacional é um verdadeiro partido de direita que defende valores patrióticos como a preferência nacional. Não é racismo. É normal preferir ajudar a sua própria família que um desconhecido”.

As eleições departamentais irão escolher os representantes legislativos dos conselhos gerais, semelhantes às assembleias estaduais brasileiras. Ao todo são 101 departamentos franceses.

*Colaborou Liliane Henriques, da redação  RFI Português.

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