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Brasil ainda não está capacitado para fazer transplantes de pênis

Por Cíntia Cardoso

A notícia do primeiro transplante bem-sucedido de pênis em um paciente sul-africano causou surpresa, e sobretudo, muita esperança em homens que, por algum motivo, perderam o órgão. A cirurgia, que foi possível graças a um doador morto, tem alguns riscos e não é feita no Brasil.

Em 11 de dezembro de 2014, um jovem recebeu o pênis de um doador durante um procedimento cirúrgico de nove horas. O feito foi realizado no Hospital Tygerberg, na Cidade do Cabo, e pode representar um avanço importante nesse tipo de transplante.  Mas quem poderia aproveitar dessa técnica? Antonio Moraes Jr., Chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, explicou para a RFI.

“As indicações para o transplante de pênis são bem específicas. Para casos em que o homem perde o órgão por acidente, por trauma e não foi possível recuperar o membro para fazer o autotransplante. Câncer de pênis também é um indicação. Algumas vezes, é preciso amputar parcialmente ou totalmente o pênis. Nesses casos, esse tipo de transplante poderia ser indicado”, informou o médico. O urologista também insiste que a técnica não pode ser usada para problemas de disfunção erétil nem para operações de troca de sexo.

Na África do Sul, segundo o hospital Tygerberg, há 9 pacientes na lista de espera para esse tipo de transplante. No Brasil, entretanto, não há nenhum centro capacitado para esse procedimento. De acordo com o Chefe do Departamento de Andrologia da Sociedade Brasileira de Urologia, o procedimento exige uma equipe multidisciplinar. Oa país, porém, detém grande know how para operações de mudança de sexo e de autotransplante. Nesse caso, o órgão do próprio paciente é reimplantado.

Riscos pós-cirúrgicos

François Desgrands, chefe do serviço de Urologia do Hospital Saint Louis em Paris, explica que, a vida após a cirurgia pode ser complicada para os transplantados. “O problema desse transplante é a imunosupressão. Ou seja, o paciente tem que tomam um coquetel de medicamentos que tem o objetivo de diminuir as defesas imunitárias do paciente. Caso o contrário, a pessoa rejeita o órgão transplantado. O tratamento imunosupressor reduz a imunidade do receptor e o efeito colateral é que ele fica exposto a toda sorte de complicação infecciosa. Na França, o transplante de pênis é proibido por esses motivos”.

Para o urologista brasileiro, justamente pelos motivos destacados pelo seu colega francês, a precaução deve prevalecer. “Temos que esperar pelo menos 1 mês para termos ecrteza dos resultados. Um suceso em apenas um paciente não é uma estatística confiável”.

O primeiro transplantado bem-sucedido tem 21 anos. Há 3 anos, ele havia ficado apenas com 1 centímetro de seu pênis por conta de complicações durante uma circuncisão. Na África do Sul, circuncisões feitas em rituais tribais de passagem para a vida adulta são freqüentes, mas podem representar um risco para a saúde dos homens. Patrick Dakna, que aconselha psicologicamente meninos perderam o pênis em cirurgias mal sucedidas, afirma que o transplante pode ser uma solução para casos dramáticos.

"Esses meninos estão ansiosos por essa oportunidade. Eles esperam que esse transplante possa significar uma mudança. Esse transplante é algo muito positivo para esses meninos e para as suas famílias que também são afetadas. Essa notícia é muito positiva", avaliou.

 

 

 

 

 

 

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