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Brasil deve ter papel de mediador de conflitos na Cúpula das Américas

Por Augusto Pinheiro

A Cúpula das Américas começa nesta sexta-feira (10) no Panamá e deve ser marcada principalmente pelos desentendimentos entre os governos norte-americano e venezuelano e pela participação inédita de Cuba, que passa por um processo de reaproximação com os Estados Unidos. Nesse contexto o Brasil pode ter um papel importante de mediador, segundo o professor de relações internacionais Fabio Borges, da Universidade Federal da Integração Latinoamericana.

"O Brasil tem tradição diplomática de intermediar conflitos, e ele é um ator bastante confiável nesse sentido. Desde quando houve o embargo a Cuba, o Brasil sempre foi contrário, sempre teve uma postura de uma possível reaproximação do país caribenho com os Estados Unidos", afirma.

Potência média

Para ele, o Brasil é uma "potência média" que consegue dialogar com as grandes potências e com os países periféricos. "Por não ter um histórico colonial e imperialista, ele é considerado um ator confiável por Cuba, Venezuela, pelos paٕíses africanos. E pode ter um papel importante no diálogo entre Venezuela e Estados Unidos. O que a Dilma fará na Cúpula das Américas será manter a tradição brasileira de promover o diálogo."

Já o professor da Universidade de Brasília Estevão Chaves de Rezende Martins, especialista em história da América Latina, classifica a política externa brasileira como "fraca e ambígua". "Muito particularmente em termos de política americana", ressalta. "Por conseguinte, é mais provável que a presidente da República não inove em nenhum tipo de comportamento e que faça um discurso ideológico de pseudo-apoio à Venezuela, porque trata-se de um apoio sem consequências práticas, sem no entanto hostilizar os Estados Unidos, com quem tenta uma reaproximação, após o caso de espionagem do governo brasileiro pela NSA."

Destaque diplomático menor

Fabio Borges, que coordena a pós-graduação em Integração Contemporânea da América Latina, acha que a cúpula pode ser uma oportunidade para que o Brasil, atualmente enfraquecido, ganhe força no campo diplomático. "Nos últimos tempos, o Brasil tem tido um destaque menor na política internacional. Se a gente comparar a política externa de Lula com a da Dilma, houve uma perda relativa de importância no cenário internacional. A cúpula pode servir como mecanismo para dar novas diretrizes para a política externa."

Encontro com Barack Obama

Dilma Rousseff terá um encontro bilateral com o presidente norte-americano, Barack Obama. As relações entre Brasil e Estados Unidos foram afetadas em 2013, após a revelação de que Washington teria espionado o governo brasileiro. Dilma chegou a cancelar uma viagem de Estado aos EUA em retaliação. Para Estevão, esse é o único tema importante em pauta no encontro. "O que deve ser debatido é a resolução da visita suspensa por Dilma por causa do caso de espionagem. No resto não vejo maiores problemas que acrescentem qualquer grau de novidade nas relações entre os dois países."

Mas Fabio Borges acha que outros campos nos quais o Brasil tem forte relação com os Estados Unidos também devem ser abordados. "As relações vão muito além da questão da espionagem. Há um número crescente de estudantes brasileiros indo estudar nos EUA, questões comerciais delicadas, especificamente o protecionismo americano."

Além de Obama, Dilma tem ainda encontros marcados com os presidentes do México, Enrique Peña Nieto, da Colômbia, Juan Manuel Santos, e do Haiti, Michel Martelly. Ela se reunirá também com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon. A cúpula, que acaba no sábado, tem como tema "Prosperidade com Equidade: o Desafio da Cooperação nas Américas".

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