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Mesmo sem Jean-Marie Le Pen, Frente Nacional continua a ser “perigosa” para a França

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A presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, decidiu impedir candidatura de seu pai . AFP/ Valéry Hache

O divórcio político entre Marine Le Pen e seu pai, Jean Marie Le Pen, é o grande destaque dos jornais de hoje. Jornais avaliam que Marine Le Pen quer se desvencilhar do pai para manter viva a sua ambição política.


O jornal Le Figaro coloca o assunto como a principal manchete e também com um editorial na capa da edição de hoje. A manchete é clara: "há uma ruptura na Frente Nacional".

Em tom irônico, o jornal Le Figaro escreve em seu editorial que a Frente Nacional é capaz de "oferecer o mesmo espetáculo dos outros partidos. Ou seja, o da divisão interna". Sob o comando de Marine Le Pen, a Frente Nacional não quer mais ser um mero coadjuvante da política francesa ou apenas um movimento político norteado por polêmicas. "A Frente Nacional de Marine Le Pen não é mais a mesma do seu pai. Mas, nem por isso, o partido de extrema-direita é menos perigoso", resume o jornal.

Para o Figaro, "a saída da França da zona do euro, o retorno na idade da aposentadoria aos 60 anos e o aumento do número de funcionários públicos" são pontos do programa presidencial de Marine Le Pen que representam um “risco muito maior” para a França que as polêmicas do seu pai.

Marine Le Pen quer afastar definitivamente seu pai do partido que ele mesmo fundou

"A velhice perturba a Frente Nacional". Assim o Libération descreve a crise dentro do partido de extrema-direita francês. O estopim da batalha entre pai e filha foram as recentes declarações de Le Pen a um jornal francês. Le Pen, que nunca fez questão de ser politicamente correto, atacou a origem estrangeira do primeiro-ministro Manuel Valls, voltou a falar que as câmaras gás que exterminaram milhares de judeus e ciganos na Segunda Guerra Mundial foram um "detalhe" da história e defendeu uma "Europa branca".

Para Marine Le Pen, diz o jornal, o discurso do seu pai foi a gota d'água. O número 2 do partido, Florian Phillipot, declarou pelo Twitter que a "ruptura política com Jean Marie Le Pen é definitiva". Para o Libération, esse pode ser mais um passo de Marine Le Pen para tornar a Frente Nacional um partido "normal e republicano".

Historiador afirma que "morte política do pai Le Pen" seria uma "violência muito grande".

Segundo Nicolas Lebourg, Jean Marie Le Pen foi o responsável pela ascensão do partido que passou de 0,74% da intenção de voto na eleição presidencial de 1974 à disputa do segundo turno na eleição presidencial em 2002.

O afastamento das ideias radicais do fundador do partido é, segundo ele, uma escolha lógica para que o movimento se consolide na cena política. Mas essa “não é a única condição” para que a Frente Nacional se transforme em uma opção verdadeira à direita representada pela UMP de Nicolas Sarkozy.