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América latina deve abandonar populismo e rever modelo econômico

Por Alfredo Valladão

A Cúpula das Américas no Panamá foi qualificada de “histórica”. Depois de meio século de ausência, Cuba voltou ao bojo interamericano. Mas também a história foi muito abusada. Os governos “bolivarianos”, com seus modelos econômicos sem futuro, insistiam em denunciar o passado intervencionista dos Estados Unidos. Enquanto Barack Obama, líder do país que está inventando a nova economia digital, vinha propor um amanhã de cooperação. E no meio, a maior potência latina, o Brasil, que ainda não decidiu – ou não sabe – se quer andar para frente ou para trás.

A questão desse historicismo todo é saber se estamos a caminho de uma nova encarnação do panamericanismo, ou se o hemisfério vai continuar fragmentado, com os latino-americanos tentando se virar, cada um por si, no meio de uma retórica antiamericana e “integrações regionais” fajutas. A verdade é que, atualmente, a América Latina precisa muito mais dos Estados Unidos do que o inverso.

Os dirigentes cubanos entenderam isso perfeitamente, apesar de que uma normalização com o Tio Sam vai ser combatida ferozmente por boa parte do aparelho estatal cubano que morre de medo de perder o emprego. O maior cliente – de longe – da Venezuela anti-imperialista e falida continua sendo os Estados Unidos.

E o Equador de Rafael Correa, que faz discursos para a acabar com a Organização dos Estados Americanos (OEA), continua usando o dólar como moeda nacional. Os países da Aliança do Pacífico (México, Colômbia, Peru e Chile) doidos por recuperar o tempo perdido, assinaram acordos de livre comércio com Washington e estão apostando todas as fichas numa maior integração com super-vizinho do Norte.

Revisão da atividade econômica

A verdade é que no mundo globalizado, quem não tem sucesso econômico não tem condições de apitar. Mas a nova organização econômica do mundo não dá muito espaço para os Latinos. A economia do conhecimento, da inovação tecnológica e informática, da produção robotizada e interconectada, e dos novos serviços de alto valor agregado, está sendo monopolizada pelas empresas norte-americanas e europeias, grandes e pequenas.

Quanto às cadeias de valor transnacionais de produção de massa e baixa rentabilidade, elas estão se organizando em torno da potência chinesa, do Japão e das multinacionais tradicionais do Atlântico Norte. Sobra só o setor das matérias-primas que a América do Sul tem de sobra. Só que o novo modelo econômico global é muito menos voraz e os produtos de base vão continuar sendo vendidos a preço de banana ainda por muito tempo.

A China e a Ásia não são mais a salvação da lavoura. Muito pelo contrário: estão se tornando impiedosos concorrentes dos latino-americanos, comprando menos matéria-prima e exportando mais produtos de consumo barato. Como é que a “latinada” vai se virar?

Obama mostra solução para os latinos

Foi o próprio Obama que mostrou o caminho das pedras na reunião empresarial paralela à Cúpula do Panamá. Não vai haver saída sem um upgrade sério do modelo produtivo latino e sem uma maior cooperação com as democracias industriais do Norte, particularmente com os Estados Unidos.

A farmacopeia do Dr. Obama é simples e evidente: apoio à globalização comercial, inclusive para as pequenas empresas, aceitar as tecnologias ditas “de ruptura”, promover uma educação de excelência e permanente, e desenvolvimento integrado de infraestruturas. Tudo isso com apoio de governos transparentes e uma justiça eficiente que seja obrigada a justificar os seus atos. Não faltaram também as indiretas contra a corrupção e as elites clientelistas aproveitadoras.

Em outras palavras, está na hora da América Latina abandonar os velhos populismos, de esquerda e de direita, e fazer a sua revolução democrática para enfrentar a competição no mercado global. E o primeiro inquilino negro da Casa Branca só fez ressuscitar os princípios do panamericanismo estabelecidos no final do século XIX: liberdade política e liberdade econômica.

Na verdade, a América Latina não tem muita opção se quiser enfrentar o poderio da economia digital do Atlântico Norte e a potência avassaladora das cadeias produtivas mais tradicionais centradas na Ásia. Ou toma o remédio Obama e tenta se amarrar no carro-chefe americano – e eventualmente europeu – para desenvolver economias mais competitivas e modernas. Ou então, vai ficar no seu eterno voo da galinha, só que mais baixo, mais triste e mais pobre, no meio de um galinheiro global indiferente.

 

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