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Salão de Xangai lança carros utilitários para conquistar mercado chinês

O Salão do Automóvel de Xangai, maior vento do setor, abre as portas para o grande público nesta quarta-feira (22). Com mais de uma centena de lançamentos mundiais de novos modelos durante os nove dias de evento, as montadoras se mostram confiantes no potencial do maior mercado automobilístico do mundo. Apesar da desaceleração da economia chinesa, a mais baixa dos últimos seis anos, elas continuam investindo. Carros utilitários e elétricos são as novidades do ano.

 Luiza Duarte, correspondente da RFI em Hong Kong

Ao todo, o público poderá conferir 1343 carros, desses 103 são novos modelos elétricos e 47 carros-conceito. Mais de uma centena de modelos inéditos serão apresentados nesta edição. A feira desse ano tem como tema “Inovação para a Modernização” e fica aberta até o 29 de abril. São mais de 2 mil expositores vindos de todo o mundo.

As montadoras chinesas Chang'an Automobile Group, Chery, BYD e GAC Motor Co, apresentam novos modelos de utilitários elétricos de olho no crescimento do nicho de veículos verdes.

Impacto da desaceleração econômica no setor

A economia chinesa está desacelerando. Os últimos números referentes ao primeiro trimestre deste ano mostram o fim do crescimento de dois dígitos no país. Os dados apontam o menor avanço da economia desde 2009, segundo informações divulgadas pelo governo chinês. Algumas montadoras, como multinacional japonesa Nissam, continuam a aumentar os investimentos no país mais populoso do mundo. Atualmente, existem 218 fábricas de automóveis instaladas na China e pelo menos quinze devem ser implantadas nos próximos cinco anos.

No último ano, o mercado chinês absorveu mais de 23 milhões de veículos, o equivalente a um crescimento de 7% em relação ano precedente, de acordo com a Associação Chinesa de Construtores Automobilísticos (China Association of Automobile Manufacturers, CAAM, na sigla em inglês). No entanto, em 2013, esse mesmo indicador do crescimento do setor era 2x maior.

No plano geral, a economia chinesa cresceu 7%, mesmo se ela é mais baixa que nos últimos anos, ainda assim o número é importante comparado ao crescimento de outros países. A redução do crescimento ainda não afetou o mercado interno. Os chineses continuam comprando e aderem cada vez mais ao crédito.
Segundo especialistas, a expectativa para este ano é positiva e o setor esperar repetir a marca de 25 milhões de veículos vendidos e checar a 30 milhões em 2020.

Reestruturação do mercado

Uma mudança gradativa está em cursos. Desde 2010, o crescimento se concentra nas cidades chinesas de médio porte, que tem até cinco milhões de habitantes, e não mais nas metrópoles. Cotas adotadas em seis grandes cidades chinesas, como Pequim e Xangai, prometem fazer crescer as vendas de carros elétricos. Os números sobre o comércio de veículos verdes ainda são desanimadores no país, a maior parte dos que estão em circulação são ônibus e taxis, mas montadoras chinesas apresentam essa semana no salão suas apostas em utilitários ecologicamente corretos.

O potencial de crescimento ainda é enorme. Hoje, a China possui 109 veículos para cada mil habitantes. Na Europa, esse número é quase cinco vezes maior. Atualmente, 60% do mercado no país é movimentado por pessoas que compram um carro pela primeira vez. A tendência é que ele se equilibre entre as primeiras compras e aqueles que estão apenas trocando de modelo. São as marcas nacionais que dominam o mercado. Apenas dois modelos estrangeiros, o Tiguan da Volkswagen e o Kuga da Ford, aparecem entre os dez mais vendidos na China.

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