rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Fato em Foco
rss itunes

Terremoto no Nepal faz surgir fluxo de refugiados para a Índia

Por Leticia Constant

A política instável do governo do Nepal, sem consenso sobre questões fundamentais como segurança, gerenciamento de tragédias e serviços públicos, tem repercutido seriamente na situação do país após o terremoto. Entre caos e destruição, a população espera uma ajuda que o governo atual já assumiu que não tem condições de dar.

O Nepal vive um dos maiores dramas de sua história, com milhares de mortos, feridos e desaparecidos após o terremoto de 7,8 na escala Richter, ocorrido no dia 25 de abril.

A situação de caos e destruição traz à tona a instabilidade política do pequeno país montanhoso, encravado entre a China e a Índia, na Cordilheira do Himalaia. O contexto acaba impactando na administração da tragédia de proporções gigantescas.

História

Durante muitos séculos, o Nepal foi considerado um reino hindu. A partir da década de 60, sofrendo influência de partidos comunistas de orientação maoísta e indiana, começa a haver uma contestação política dentro do próprio país desse modelo de monarquia; e não somente de monarquia mas do fato de o Estado ser definido religiosamente como Estado hindu. "Entre a década de 90 e o começo do ano 2000, o que se  observa é uma guerra civil, uma tentativa  para depor essa monarquia. Depois há todo um processo de diálogo interno para tentar definir como o Estado vai se organizar, além de uma tentativa de aliança entre os grupos políticos de esquerda e uma tentativa também de redefinir essa constituição, como o Estado vai ser perante os seus cidadãos e perante os Estados do entorno", explica a professora de História da Ásia, Mirian Oliveira, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, no Paraná.

Coalizões políticas

Em 2008, na eleição da primeira Assembleia Constituinte após a monarquia, o Partido Comunista Unificado do Nepal, maoísta, tinha a maioria. Sem consenso, a Assembleia foi dissolvida quatro anos depois. Em 2013, foi formada uma coalizão com os conservadores do Congresso Nepalês e o Partido Marxista-Leninista Comunista Unido do Nepal, que governa atualmente. Mais uma vez, a falta de entendimento entre os partidos sobre questões relevantes para o país gerou a atual instabilidade política, que afeta seriamente o gerenciamento da crise gerada pelo terremoto.

Refugiados

A falta de políticas públicas e a penúria por que passa a população depois do tremor de terra começa a gerar um novo fenômeno: os nepaleses e os indianos que viviam no Nepal estão buscando refúgio na fronteira. A questao dos deslocamentos humanos começa a ser mais premente; não só os indianos, que estão voltando para o território, mas também de pessoas que começam a se tornar refugiadas, em busca de melhores condições de vida. "Essa crise gerada pelo terremoto causa um estremecimento no sentido da própria organização da vida das comunidades locais e das possibilidades de vida futura. Então, principalmente na fronteira entre a Índia e o Nepal, estão se constituindo vários pontos de apoio para tentar atender a esse fluxo de pessoas que, provavelmente, vai se intensificar, de refugiados do Nepal para a Índia", diz a professora.

Nepal na mira da Índia e da China

Índia e China têm uma disputa histórica pela influência no Nepal, não somente por sua localização estratégica como também por interesses econômicos. "A Índia sempre teve mais influência sobre o Nepal, até por ele ter sido  definido como um reino hindu por um longo período de tempo, e também do ponto de vista econômico e político", explica Mirian Oliveira, ressaltando que a China tem buscado ampliar sua presença também do ponto de vista econômico. Em 2014, o PIB do Nepal foi de US$20 bilhões — apenas US$1 per capita.

 

Para brasileiros em Paris, violência urbana no Brasil ainda é pior que terrorismo

Pesquisa aponta que franceses aceitariam menos liberdade em troca de segurança

Nova regra francesa de doação de sangue impõe abstinência sexual para doadores gays

Campanha contra bullying prejudica imagem do professor, dizem sindicatos da França

Presença do Irã em negociações sobre a Síria é essencial para a paz

Motivo de polêmica no Enem, Simone de Beauvoir foi fundamental para o feminismo

Analista em Berlim diz que só "base recosturada" pode afastar impeachment de Dilma

Crise pode significar oportunidades para investidores estrangeiros no Brasil