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Brasil ganha 1°Death Cafe, que reúne pessoas para falar sobre a morte

Por Leticia Constant

Se existe um assunto que todo mundo evita, este assunto é a morte; mesmo fazendo parte da vida e sendo a única certeza final. Foi para quebrar essa barreira que o sociólogo e antropólogo suíço Bernard Cretazz criou o primeiro Death Cafe (Café da Morte, em tradução literal), em 2004. A iniciativa teve tanta receptividade que se espalhou pelo mundo e agora chegou ao Brasil. O primeiro Death Cafe foi organizado em São Paulo.

 

Ao contrário do que se possa imaginar, o Death Cafe não é um estabelecimento comercial com endereço fixo. O conceito é organizar reuniões em locais como cafés, hotéis ou centros culturais, para se discutir o tema livremente. De portadores de doenças incuráveis, idosos e pessoas que perderam um ente querido ou têm medo da morte, a profissionais da área da saúde, a iniciativa atrai cada vez mais interessados no mundo todo.

A ideia cresceu e se espalhou por vários continentes. Hoje são 1.881 Death Cafe em 31 países. Na América do Sul, Argentina e Venezuela já implantaram a ideia e agora chegou a vez do Brasil ter o seu Death Cafe Sampa.

O nome Death Cafe foi mantido, já que a tradução literal em português, Café da Morte, transmitiria uma imagem mórbida, contrária à proposta, como explica a economista Elca Rubinstein, que conheceu o conceito nos Estados Unidos e o implantou no Brasil, no fim do ano passado.

"Achei a ideia, o conceito, a proposta de poder sentar em volta da mesa, sem agenda pré-fixada, com alguma coisa doce para comer, achei a ideia muito interessante e fui saber como podia trazer isso para o Brasil. É muito simples: você só tem que se amarrar nos três conceitos deles: não pode ter lucro, não pode ter agenda pré-marcada e tem que ter hora para começar e para terminar", explica a pioneira, alertando que não é para fazer terapia, pesquisas ou obter informações sobre doenças, tratamentos, eutanásia. "O Death Cafe é para aquela conversa que tá lá no fundo, amarrada, presa, e não tem por onde sair", observa Elca.

Desmistificar o tema da morte também é um dos benefícios da reunião. "Você leva a conversa do 'armário' para o Death Cafe e depois da mesa do Death Cafe para a mesa da sua casa", reflete Elca Rubinstein, cujo sonho é que a iniciativa  ganhe novos organizadores e cresça no Brasil.

Tabu

Raquel Franco Jacintho é psicóloga especializada em apoiar pessoas no enfrentamento da morte. Apesar de para ela o assunto ser natural, ela concorda que mesmo no seu ambiente de trabalho o tema é tabu.

"Mesmo se eu acho natural falar sobre a morte, é difícil achar pessoas que achem isso natural. Mesmo trabalhando em hospital, as pessoas parecem achar que é um assunto proibido, que se você falar, você atrai..." diz Raquel.

Ela esteve em uma das reuniões do Death Cafe e, enquanto psicóloga, achou muito interessante. " Tem um misto de pessoas, tem profissionais querendo discutir o assunto, pessoas querendo pensar na própria morte e pessoas que estavam entristecidas com a morte de alguém e foram lá meio procurando uma terapia de luto", observou, afirmando que acha a ideia muito produtiva, "pois quanto mais as pessoas conseguirem falar da morte sem tabu, mais condições terão de fazer suas próprias escolhas quando esse momento estiver chegando", conclui.

Apreender para aprender

A professora universitária Solimar Garcia, que perdeu a mãe recentemente, sempre se interessou pela morte. "Eu estive no Death Cafe para conhecer novas formas de lidar com o assunto, como é que as pessoas falam sobre o assunto, como sentem... e coisas que pudessem me trazer um novo aprendizado, uma forma nova de ver que pudesse me ajudar no meu aprendizado, na minha caminhada de vida", ela diz.

Pela primeira vez o Death Cafe vai ter um local permanente, um passo à frente na ideia de banalizar o tema da morte. A cidade pioneira vai ser a capital inglesa, Londres.

 

 

 

 

 

 

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