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Corrupção é uma das semelhanças entre crises políticas no Chile e no Brasil

Por Leticia Constant

A maior crise política no Chile, desde a volta da democracia, tem pontos comuns com o cenário que o Brasil está vivendo. Os dois países têm presidentes mulheres, afetadas direta ou indiretamente por escândalos de corrupção, que enfrentam igualmente uma forte queda de popularidade.

O Chile vive uma grave crise política após diversos escândalos de corrupção, inclusive envolvendo o filho da presidente Michelle Bachelet, o que a levou a remanejar todo o governo no começo desta semana, numa tentativa de preservar as instituições e redourar a própria imagem. Após ser reeleita com 80% de popularidade, sua cota está em queda livre, com 31% atualmente.

Analisando o panorama da América do Sul, hoje temos o Brasil, Chile e Argentina liderados por mulheres eleitas na aposta da diminuição das desigualdades, e inseridas em um projeto político de esquerda e centro-esquerda. Uma hegemonia ameaçada pelos escândalos de corrupção.

O cientista político Raduan Meira acha interessante comparar o Chile e o Brasil por terem crises parecidas. "São dois casos envolvendo mulheres presidentes, escândalos de corrupção envolvendo empresas privadas dando altas somas de dinheiro para campanha, então, tendo uma situação de benefício político para essas empresas", ele constata.

Situação de Bachelet é mais grave

"O caso da presidenta Michelle Bachelet envolve tanto ministros mais próximos a ela quanto o próprio filho. Aqui no Brasil, com a presidenta Dilma, a situação é, digamos assim, um pouco mais tranquila, uma coisa que está um pouco mais à margem do governo nacional, é menos claro o envolvimento direto da presidenta Dilma", diz o analista, lembrando que casos assim, em que o envolvimento da força econômica participa e influencia a dinâmica eleitoral, não ocorrem só na América Latina.

Diferenças entre o poder no Chile e no Brasil

Ao contrário do Partido dos Trabalhadores no Brasil, o Partido Socialista de Michelle Bachelet não tem um projeto de poder a longo prazo. "O grupo de apoio do governo do Chile é muito mais amplo. Se você pega os partidos que apoiam a Bachelet eles vão desde o Partido Democrata Cristão ao Partido Comunista, enquanto que no Brasil a dinâmica ainda é muito bipolar entre PT e PMDB", observa o analista.

Quanto à Argentina, Raduan Meira sublinha que a relevância é que vai ter eleição no país neste ano. " A hegemonia de esquerda e centro-esquerda na América do Sul pode estar ameaçada. Vai ter eleições também no Peru, eleição parlamentar na Venezuela, e vemos voltando, talvez, grupos mais de centro-direita e direita, ameaçando de certa forma uma hegemonia de centro-esquerda que tem na região desde o final do século passado", conclui o cientista político.

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