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Líderes cobram participação de empresário no combate a aquecimento global

Por Lúcia Müzell

Fazer adaptações tecnológicas para diminuir a poluição, gastar menos energia, mudar padrões de produção. Esses são apenas alguns dos desafios colocados ao setor privado para ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, que causam as mudanças climáticas.

Cerca de 1.000 empresários do mundo inteiro estão reunidos em Paris para um fórum sobre o tema, na sede da Unesco. O evento acontece a 200 dias da Conferência do Clima de Paris, a COP-21, que terá o ambicioso objetivo de definir um novo acordo global para cortar emissões de CO2. O meio empresarial é fundamental para implementar as políticas e metas decididas pelos governos, além de poder incitar à mudança de comportamento dos consumidores.

Entre os palestrantes, estão nomes de peso como os diretores-presidentes da Unilever, L’Oréal e Total, entre outros. Na abertura, o presidente francês, François Hollande, não perdeu a ocasião para pressionar os empresários a agir. Ele chamou a atenção para a situação nos países em desenvolvimento, onde nem sempre os governos são capazes de promover as mudanças necessárias para proteger o planeta.

“Este é um desafio que envolve vocês. Nós devemos convencer os países emergentes de que eles devem se comprometer com a transição energética. Mas eles só farão isso se houver empresas que participem dessa estratégia ao lado deles, compartilhem as tecnologias e participem das escolhas que precisamos fazer”, destacou Hollande. “Queria que vocês considerassem os países emergentes nos debates da conferência, porque eles serão os mais determinantes para o acordo.”

Consumidores atentos

Os empresários querem mostrar que compreenderam o quanto a transição para uma economia de baixo carbono precisa ser integrada ao plano estratégico das companhias. O CEO do Carrefour, Georges Plassat, afirmou que o setor privado “já tem consciência do seu papel”.

“Nós nunca tínhamos visto, nos últimos cinco anos, as mudanças climáticas impactarem tanto nos nossos negócios quanto agora. Os consumidores estão extremamente conscientes do fato de que se nós não cuidarmos do clima, vamos sofrer muito”, disse.

A coordenadora das negociações climáticas da ONU, Christina Figueres, observou que, a cada ano, milhares de jovens se tornam consumidores – um público exigente em termos de preservação ambiental. Mas para atender a essa clientela, os produtos “verdes” precisam ser mais baratos do que são hoje.

Para a secretária-executiva da Convenção-Quadro sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), nunca é tarde para as empresas começarem a se preocupar com o clima. “Não se trata de confronto. Acho que não iremos a lugar nenhum com confronto, que seja entre governos ou entre as empresas, ou entre empresas e governos. Estamos falando de colaboração”, afirmou. “Se há um desafio que o mundo inteiro precisa encarar, é este, e a única maneira de fazê-lo é com colaboração.”

Brasil

O Brasil estava representado pelo secretário nacional de mudanças climáticas, Carlos Klink, que participou de um painel sobre alimentação, agricultura e florestas. Klink avalia que as empresas brasileiras também já perceberam a importância da sua atuação no combate à degradação ambiental.

“Não é só uma questão de aceitar: já está acontecendo em enorme escala. Há um movimento político forte do governo, mas também do setor privado”, ressaltou. “Alguns setores já se adiantaram, como o de florestas, uma parte do setor agrícola, uma boa parte do setor cimenteiro. O do aço se antecipou às políticas do governo, por exemplo.”

 

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