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"Purple drank", droga à base de xarope, vira moda entre adolescentes na França

Por Daniella Franco

Originário dos Estados Unidos, o "purple drank", também conhecido por "sizzurp", chegou há alguns anos na França e seu consumo, especialmente por adolescentes, preocupa as autoridades. O cocktail é uma mistura de xarope à base de codeína, de antialérgicos ou antiistamínicos, bebidas alcoólicas e refrigerante.

A bebida foi criada nos anos 60, ficou célebre nos anos 90 e passou a ser evocada em músicas de rappers americanos nos anos 2000, de onde vem sua popularidade entre os jovens. O nome "purple drank" (bebida violeta, em inglês), vem da cor roxa da mistura. Nos Estados Unidos, a maioria dos xaropes para tosse tem essa tonalidade.

Recentemente, a Ordem francesa dos Farmacêuticos (ONP) lançou um alerta pedindo que os profissionais fiquem atentos à venda de medicamentos à adolescentes. Na França, a comercialização de muitos "ingredientes" do purple drank pode ser feita sem receita médica.

Na internet, em fóruns de discussão, jovens trocam a receita do cocktail e até mesmo dicas de como enganar os farmacêuticos. "Encontramos publicações de adolescentes na web dizendo, por exemplo, que é preciso se vestir bem para serem levados a sério pelos farmacêuticos", relata Isabelle Adenot, presidente do Conselho Nacional da ONP.

Ela conta que, recentemente, suspeitou de um jovem que chegou em sua farmácia para comprar uma caixa de antialérgicos e um xarope com codeína, alegando estar com tosse, mas sem saber explicar quais eram os sintomas. "Ele disse que tinha uma tosse com expectoração. Respondi que eu não venderia o xarope com codeína porque esse serve apenas para a tosse seca. Ele se alterou e me xingou muito, mas eu não cedi e não vendi o produto", relembra.

Perigos do purple drank

O Centro de Avaliação e de Informação sobre a Dependência de Medicamentos da França (CEIP) registrou uma série de internações de jovens devido à intoxicação causada pelo purple drank nos últimos dois anos. Dificuldade respiratória, sonolência e vômitos são alguns dos sintomas da ingestão da mistura. Em excesso, ela também que pode resultar em vertigens e alucinações, necessitando internação para desintoxicação.

"A codeína é um derivado da morfina. Os jovens querem consumi-la devido ao efeito de euforia que ela causa. O problema de associar a codeína a antiistamínicos, como a prometazina, é que se aumenta a toxicidade da mistura. Tivemos casos aqui no centro de jovens desorientados e com fortes crises de convulsão", adverte uma das farmacêuticas do CEIP, Cécile Chevallier.

"Gate drug"

As autoridades sanitárias francesas alertam que o consumo do purple drank é feito, muitas vezes, por jovens no início da adolescência, com 13 ou 14 anos. A maior preocupação é que a bebida se transforme em "gate drug" ou seja, a primeira droga consumida pelos jovens e que pode abrir ingresso para outras.

"A tendência dos usuários de drogas é de começar a utilizá-las sempre consumindo uma substância lícita e que seja mais fácil de obter. Muitas vezes, eles experimentam uma droga com efeitos leves e depois passam a consumir as que têm efeitos mais pesados", observa o psquiatra e especialista em problemas com drogas da USP, Ivan Mario Braun.

Campanha de prevenção

Educadores e pais são convidados pelas autoridades sanitárias francesas a ficarem atentos ao consumo do purple drank pelos adolescentes. A Agência Francesa de Segurança Medicamento (ANSM) prepara uma campanha de informação para os profissionais da saúde sobre o aumento do consumo da mistura. O órgão também pretende reforçar a prevenção junto aos jovens sobre os perigos desse cocktail.

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