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Para analistas, Venezuela está à beira de uma hiperinflação

Além da escassez de produtos, a inflação da Venezuela, que já era considerada alta, está em disparada. Analistas apontam que este índice subiu 108% desde maio do ano passado. Com o aumento radical dos preços, a população perde a cada dia que passa um pouco mais de seu poder de compra, além de enfrentar as dificuldades de encontrar alimentos, produtos de higiene, remédios, entre outros artigos. Junto com o crescimento da pobreza, vem o aumento da criminalidade, uma bola de neve cujo fim para ainda estar longe.

Elianah Jorge, correspondente da RFI Brasil, em Caracas,

De acordo com as regras, o Banco Central da Venezuela deve informar a inflação antes do dia 10 de cada mês. No entanto, desde dezembro do ano passado, o BC não informa os dados. Em 2014, a inflação foi de 68,5%, apesar dos controles de preços impostos pelo governo.

Agora, embora não haja um número oficial, é perceptível que a inflação é bastante alta. De acordo com estimativas econômicas, a inflação da Venezuela no período que vai de maio de 2014 a maio deste ano é de 108%.

O Banco Central não dá justificativas para a ausência deste número e esta posição vem gerando, inclusive, queixas de partidários do governo. É o caso do “chavista” Jorge Giordani, que entre 2009 e 2014 foi ministro do Planejamento. Há poucos dias ele afirmou ser um “erro político” que o governo esconda os indicadores da economia nacional. Para os mais críticos, Giordani é o responsável pela delicada situação econômica que a Venezuela está passando.

Salário mínimo

Em maio deste ano, o salário mínimo aumentou em 30% e passou para 7.412 bolívares, mas teve impacto limitado no bolso do venezuelano. De acordo com o Centro de Documentação e Análise Social (Cendas), são necessários sete salários mínimos para comprar uma cesta básica, o equivalente a mais de 37 mil bolívares. Sem contar que 60% dos produtos básicos estão em falta. Ou seja, a população enfrenta uma dose dupla de problemas: os altos preços e a falta de produtos básicos para alimentação e de higiene.

Com a nota de maior denominação por aqui, a de 100 bolívares, já não dá para comprar quase nada. Nas ruas de Caracas, as pessoas não falam em outra coisa senão do alto custo de vida. Um quilo de carne pode custar 1.500 bolívares. Um quilo de farinha de milho ou uma maçã, 200 bolívares. Uma embalagem com oito absorventes femininos custa 1.368 bolívares. Já o frasco de xampu, 800 bolívares. Estes são exemplos apenas dos preços dos alimentos e dos produtos básicos, sem contar com o de moradia, o de vestuário e os dos serviços básicos.

No entanto, os venezuelanos dispõem de gasolina muito barata, o que cria uma situação insólita. Para encher um tanque com 42 litros do combustível, paga-se 3,40 bolívares, quase a metade do preço de uma bala, que custa 7 bolívares.

A caminho da hiperinflação

Economistas afirmam que o país está à beira de uma hiperinflação. De acordo com um informe da empresa inglesa de serviços financeiros Barclays, “há claros indicadores que sugerem uma aceleração da inflação, que poderia ter alcançado três dígitos”. Alguns especialistas afirmam que a alta inflação é a prova de que o sistema econômico da Venezuela entrou em colapso.

Para controlar a inflação seriam necessárias medidas impopulares, que afetariam ainda mais a popularidade do presidente Nicolás Maduro. Uma das causas da inflação é a dolarização da economia venezuelana. Desde a queda dos preços do petróleo, o produto que sustenta a Venezuela, o país vem experimentando um empobrecimento gradual.

Além da redução da entrada de dólares nos cofres públicos, há queda nas reservas internacionais da moeda estrangeira. Por consequência, o governo vem limitando a venda de dólares, que pode variar entre 6,30 bolívares, 12 bolívares ou 197 bolívares, de acordo com os três tipos de câmbios legais no país. No entanto, o paralelo já superou os 410 bolívares por dólar. Na maioria das vezes, o comércio trabalha com o dólar conhecido como Simadi, que é o de 197 bolívares, ou com o paralelo, valores que funcionam como combustível para a fogueira da inflação.

Caos no sistema de saúde

De acordo com a Federação Farmacêutica Venezuelana a escassez de remédios subiu para 70%, o que representa muita angústia para os pacientes, sobretudo os que sofrem de doenças crônicas. Fazer exames de saúde é outro drama enfrentado pelos doentes. Há pouquíssimos reagentes químicos no país.

Nos hospitais, públicos ou privados, os equipamentos danificados estão parados por falta de peças de reposição. Há menos de uma semana, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, foi ao Brasil, onde se encontrou com a presidente Dilma Rousseff e com o ex-presidente Lula da Silva. Lá, Cabello assinou acordos para a compra de remédios feitos no Brasil e que devem chegar nos próximos dias à Venezuela.
 

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