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Jornais condenam espionagem, mas descartam crise diplomática entre Paris e Washington

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Os grampos da NSA não alteraram as relações entre François Hollande e Barack Obama, fotografados juntos, no ano passado, nas comemorações dos 70 anos do desembarque aliado na Normandia. AFP PHOTO / DAMIEN MEYER

A espionagem de três presidentes franceses pelos Estados Unidos, de acordo com as revelações do site WikiLeaks, continua nas manchetes desta quinta-feira (25) na imprensa francesa. Diversos jornais consideram que o destaque dado ao caso foi exagerado, já que a espionagem entre governos é comum. O que não é comum, ressalta a imprensa, é o fato de a primeira potência mundial ter sido desmascarada e de os presidentes franceses terem sido tão descuidados ao falar no telefone celular.


O jornal Libération, que publicou as transcrições dos documentos ultraconfidenciais obtidos pelo WikiLeaks, afirma em sua manchete que os franceses assistem a um "baile dos indignados", mas sem consequências concretas. Os grampos da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana nos celulares de François Hollande e dos ex-presidentes Nicolas Sarkozy e Jacques Chirac eram conhecidos do serviço secreto francês.

O jornal qualifica de "decisões cosméticas" as medidas de represália anunciadas por Hollande. O interesse superior da França é manter as boas relações com os Estados Unidos, constata Libération. Hollande protestou, falou em prática "inaceitável" dos americanos, mas o escândalo morre aí.

Em seu editorial, Libération demonstra revolta pelo fato da embaixada dos Estados Unidos em Paris ter uma estação de escuta ultrassofisticada e das autoridades francesas serem condescendentes com isso. O jornal acha que a cúpula do governo deveria ter ao menos o cuidado de utilizar telefones criptados e não usar aparelhos vulneráveis. Libération classifica de "desprezível" a forma como a Casa Branca trata o aliado, como se a França fosse "uma nação infantil", ideal para ser bisbilhotada.

"Serviço secreto francês não é santo"

Le Figaro também manifesta uma certa irritação com a arrogância dos Estados Unidos. O diário conservador destaca que "o serviço secreto francês está londe de ser santo". Porém, Le Figaro chama a atenção para o fato de que as atividades de arapongas devem permanecer secretas. "Em matéria de espionagem tudo é possível, desde que o sigilo seja preservado", escreve o jornal. "Aquele que é desmascarado provoca desgate político e tem obrigação de reparar o estrago", defende Le Figaro.

O jornal constata que o governo americano ignora as críticas sobre o monitoramento em massa de governos e cidadãos. Por outro lado, "visto que nenhum segredo de Estado foi revelado pelo WikiLeaks, França e Estados Unidos, que têm interesses comuns, comerciais e estratégicos, preferem não se aventurar em uma crise diplomática".

Como observam alguns analistas, as revelações foram um bom golpe de marketing para Libération e o Médiapart, os dois veículos que publicaram os documentos do WikiLeaks.