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Brasileiros participam de Copa do Mundo de robôs, na China

Por Gabriel Rocha Gaspar

Nesta sexta-feira (17), começa a Copa do Mundo de robótica, na cidade chinesa de Hefei. Equipes de engenheiros de automação e amantes de robôs preparam suas máquinas para competir em diversas categorias. São robôs que fazem resgates, outros que se prestam a serviços domésticos... Mas entre todos os "esportes" em competição o mais popular é o futebol.

É verdade que, hoje em dia, os robôs que jogam bola ainda são lentos e desengonçados. Mas a Robocup tem uma meta ambiciosa: formar, até 2050, uma equipe de autômatos capaz de enfrentar a seleção campeã da Fifa e ganhar.

O engenheiro e professor Rodrigo da Silva Guerra, que coordena uma equipe brasileira, acredita que esse objetivo é um dos grandes atrativos da competição. Não só pela curiosidade que desperta essa ambição, mas principalmente por conta dos avanços científicos que ela pode proporcionar: "A Robocup, com certeza, é a maior competição de robótica com um viés acadêmico. A cada ano, essa competição tenta colocar regras mais desafiadoras, tentando empurrar os times que competem em direção a essa meta", observa.

Apocalipse

Mas ele próprio reconhece que, a cada vez que o jogo entre robôs e humanos aparece numa conversa - especialmente com a imprensa - dois tipos de reação vêm à tona: uns dão risada, outros se assustam. Afinal, quem nunca viu pelo menos um dos milhares de filmes de ficção científica em que os robôs descobrem a chave da reprodução de sua inteligência artificial e invertem a lógica de dominação, impondo-se definitivamente sobre seus criadores?

Guerra, que é doutor em sistemas de máquinas adaptáveis pela Universidade de Osaka, apoia-se nos sete anos que viveu no Oriente para descartar essa teoria. "Os filmes ocidentais têm essa visão apocalíptica", observa. "É interessante que, na Ásia, a perspectiva é diferente. Por exemplo, no Japão, eles vêem o robô como um amigo, um companheiro, alguém que ajuda. A minha opinião é que, à medida que a tecnologia avança, nos vamos nos fundindo a ela".

Ele lembra de uma pesquisa que mostrava que as sugestões dos celulares para completar as frases já impactam a gramática no Japão. Os jovens japoneses escrevem - e falam - de uma maneira diferente das gerações anteriores, influenciados pelas palavras que o celular escolhe com mais frequência. "As máquinas não são elas e nós. Nós somos, juntos, uma coisa única", filosofa.

Parceria Brasil-Alemanha

Mas mesmo que o apocalipse esteja em gestação a cada robocup, difícil pensar em cenário mais catastrófico para o esporte brasileiro do que a fatídica semifinal da Copa do Mundo de 2014. Para evitar um vexame como aquele amargo 7 a 1, o time de Rodrigo Guerra, Taura Bots, fez jus ao ditado: assumiu que não pode vencê-los e uniu-se a eles, por meio de uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Maria (RS), onde ele leciona, e a Universidade alemã de Ostfalia.

Mas, claro, a razão principal não é o medo do fiasco, mas o alto custo dos robôs de competição: "Eu participo da Copa dos robôs nos bastidores há um tempo e tinha esse sonho de, um dia, começar minha equipe. Mas é muito caro. Uma equipe de robôs humanoides precisa de quatro a cinco robôs. Um robô, numa categoria básica, custa em torno de R$ 50 mil". E, claro, Rodrigo Guerra quer mais do que o básico e os robôs brasileiros/alemães devem disputar a categoria Teen Size.

Entre os dias 17 e 18, as equipes se organizam para as competições nas diversas categorias, programadas para acontecer entre os 19 e 22 de julho. No dia 23, um simpósio encerra a Robocup 2015 na China.

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